Passada a euforia provocada pela conquista de 68% dos votos válidos, o governador eleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), se debruça agora sobre a tarefa de administrar os apoios que recebeu no segundo turno e que lhe possibilitaram a esmagadora vitória. As pressões pela participação no futuro governo começam a se intensificar por todos os lados. Na montagem de seu secretariado, Cabral Filho terá que atender ao próprio partido - incluindo o setor controlado pelo ex-governador Anthony Garotinho - e aos tradicionais aliados dos peemedebistas no Estado, como o PP do senador eleito Francisco Dornelles, mas deverá abrir espaço também para a frente de esquerda que passou a apoiá-lo depois que firmou acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Cabral Filho afirma que pretende escolher sem pressa os nomes para o primeiro escalão do futuro governo. Ele não quer se deixar levar pelas pressões, pois está ciente de que essa escolha vai definir o perfil de sua administração e apontar se seu governo terá um caráter de continuidade com as administrações de Garotinho e Rosinha Matheus ou se será de fato "um governo das forças progressistas" como prometeu na reta final da campanha. O único nome confirmado, oficialmente, até a manhã desta segunda-feira, pelo futuro governador é de sua cota pessoal. O advogado Régis Fichtner, que coordenou a elaboração do programa de governo do PMDB e é suplente de Cabral Filho no Senado, vai para a Chefia do Gabinete Civil. Outros nomes indicados para coordenar a equipe de transição, como o ex-prefeito de Piraí Luiz Fernando de Souza, o Pezão, Sérgio Ruy Barbosa e Wilson de Carvalho (todos homens próximos ao senador), também deverão ocupar cargos no primeiro escalão do novo governo.
O PT não esconde de ninguém sua vontade de ocupar postos importantes no governo de Cabral Filho. A idéia da direção do partido é reproduzir no Rio o governo de coalizão com o PMDB que Lula deve implementar em nível federal. Dois dias após as eleições, o Diretório Estadual do PT chamou a imprensa para anunciar oficialmente a criação de um "comitê de negociação" entre o partido e o futuro governador, com vistas à montagem da equipe de governo:
- Nada está acertado, mas o PT tem interesse em participar da administração. Seria uma forma de qualificar ainda mais as boas relações entre o governador eleito e o presidente Lula - resume o presidente estadual do partido, Alberto Cantalice. Também fazem parte do comitê de negociação petista a ex-governadora Benedita da Silva e o candidato derrotado do PT ao Governo do Rio, Vladimir Palmeira, além de deputados eleitos pelo partido.
A pedra da participação do PT no governo de Cabral Filho já havia sido cantada dias antes do segundo turno por Benedita da Silva, principal articuladora da vitoriosa aproximação entre Lula e o candidato do PMDB:
- Existe uma predisposição, tanto do Lula quanto do Sérgio Cabral, que levou nossos partidos a compreender que nenhum dos dois vai governar sozinho - disse. O que resta definir agora é qual vai ser o tamanho e a qualidade da participação petista no governo. O partido quer ocupar secretarias importantes, como Educação e Meio Ambiente. A pasta da Saúde, embora tenha sido reivindicada pelo PT, deverá mesmo ficar com o PMDB, mais exatamente com o atual secretário municipal de Saúde de Duque de Caxias, Oscar Berro. Se levar a Secretaria de Saúde, o PT deverá indicar Luiz Tenório, que é secretário na prefeitura petista de Niterói e ex-presidente do Sindicato dos Médicos. Outro nome próximo ao PT cogitado para a pasta é Sérgio Côrtes, que comandou com sucesso a breve intervenção do Ministério da Saúde na rede municipal de hospitais do Rio em 2004.
Se a disputada pasta da Educação ficar mesmo com o PT, a indicação caberá a Benedita. Um dos nomes cogitados no partido é William Campos, que foi secretário no governo da petista e não conseguiu se eleger deputado estadual.
O mais provável convite de