O governador Sérgio Cabral exonerou na noite desta quarta-feira o sub-coordenador adjunto militar, coronel Cláudio Rosa da Fonseca, que trabalha em seu gabinete, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras. Conversa gravada pela Polícia Federal, revelam um juiz, preso na Operação Furacão, oferecendo propina ao coronel em troca da liberação de indenização que o Estado devia à mulher do magistrado.
A mulher do juiz ganhou, na Justiça, indenização de R$ 300 mil contra o metrô do Rio. Na gravação, em 28 de fevereiro, o magistrado liga para o Palácio Guanabara e diz ao coronel que teria conversado com o governador sobre uma maneira de a assessoria jurídica autorizar o pagamento do valor.
A quantia é classificada como "uma merreca" pelo magistrado, no diálogo. O juiz conta que "uns malandros" queriam cobrar 30% pela liberação e oferece 25% (R$ 70 mil) ao coronel, a quem chama de irmão e amigo. Os dois combinam o horário para discutir o esquema, no Palácio Guanabara.
O advogado do juiz, Cléber Lopes de Oliveira, considera que não há corrupção na negociação feita pelo magistrado. O secretário da Casa Civil, Régis Fichtner informou que abrirá sindicância para apurar a denúncia. Ele disse desconhecer o assunto e frisou que o governador nunca conversou com o juiz sobre o pagamento. O processo de indenização está em fase de execução no Tribunal de Justiça, portanto, ainda não houve pagamento.
Entre atribuições do gabinete militar estão a segurança pessoal de membros do governo e as famílias e a coordenação de serviços estratégicos, como telecomunicações e uso dos helicópteros.