Sérgio Cabral é agora candidato oficial à reeleição para o governo do Estado do Rio. A homologação, durante a Convenção Nacional do PMDB, na Fundição Progresso, centro do Rio, com a participação de políticos do PT e de mais 15 partidos, aconteceu na noite passada. Também foram oficializadas 105 candidaturas a deputado estadual e 93 a deputado federal. O atual vice-governador Luiz Fernando Pezão permanece na chapa de Cabral. Para o Senado, foram formalizados os nomes do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), e do ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT).
Participaram da convenção, ainda, o ministro das Relação Institucionais, Alexandre Padilha, o ministro das Cidades, Márcio Fortes e o presidente nacional do PMDB e candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff (PT), deputado Michel Temer (PMDB-SP).
– Quero continuar junto com o governo federal, com minha presidenta Dilma e seu vice, Michel Temer. Continuar investindo muito em comunidades carentes, atraindo a iniciativa privada. O Rio deixou de ser o patinho feito da República, é um dos estados que lideram a recepção de recursos federais. Temos que nos espelhar no Lula – disse Cabral a jornalistas.
O senador Francisco Dornelles (PP-RJ), sondado recentemente para o posto de vice na chapa do candidato tucano à Presidência da República, José Serra, também compareceu ao evento Cabral fez um discurso de 26 minutos, no qual alfinetou o candidato do Partido Verde (PV) ao Palácio Guanabara, sem citar seu nome.
– Os oportunistas ficam de blábláblá. Aí dizem: por que não tem UPP não sei onde? Porque não fizeram nada durante 40 anos. Nós estamos fazendo. Temos estratégia. Nosso governo não tem acordo com milícia e nem com o tráfico de drogas. Chega de terrorismo – afirmou Cabral.
Ouvido por jornalistas, na manhã desta segunda-feira, Gabeira preferiu não comentar o assunto.
Cabral também lembrou, ao final de seu discurso, a ampla aliança conquistada na aliança com 16 partidos, o que lhe permitiu o apoio de 91 dos 92 prefeitos do Estado, exceto Campos, administrado pela prefeita Rosinha Garotinho, mulher do ex-governador Anthony Garotinho (PR).
Sem Crivella
Candidato ao Palácio Guanabara pela legenda do Partido da República, o ex-governador Antony Garotinho perdeu a coligação com o senador Marcelo Crivella (PRB) e ainda tentará, junto ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio (TRE-RJ), anular sua inelegibilidade para concorrer novamente ao cargo. No lugar de Crivella, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, a coligação de Garotinho terá outro evangélico fazendo dupla com o pastor da Assembleia de Deus Manoel Ferreira (PR) nas duas candidaturas ao Senado. Será o cantor Waguinho, ex-vocalista do grupo de pagode Os Morenos, cujo partido, PTdoB, fechou apoio a Garotinho.
Para que ele concorra, seus advogados tentam conseguir um embargo de declaração que o TRE-RJ julga nas próximas horas. A alegação é de que o TRE deveria devolver a ação à seção da Justiça Eleitoral de Campos dos Goytacazes, no norte Fluminense, onde o processo começou, mas não chegou a ter o mérito julgado. Caso não consiga o embargo, a defesa do ex-governador tentará uma liminar no TSE. Na semana passada, seus advogados tentaram antecipá-la, mas o tribunal não acatou o pedido, afirmando que iria aguardar a decisão do TRE.
Anthony Garotinho foi declarado inelegível por uso indevido de meios de comunicação, devido a uma entrevista com sua mulher, Rosinha, em uma emissora de rádio de Campos, em 2008, onde ela viria a se eleger prefeita. Rosinha também foi declarada inelegível e o TRE-RJ ainda determinou a perda de seu mandato, que ainda ela mantém, entretanto, cabendo recurso.
Durante a convenção estadual, realizada neste domingo, Crivella disse que chegou a conversar com Garotinho, mas que seguiu a decisão do PRB de não fechar apoio oficial a nenhum candidato ao governo do Estado, tomada durante sua convenção estadual, também neste domingo. A medida deixa PRB mais perto de Sérgio Cabral, já que seu presidente estadual, Victor Paulo, candidato a deputado federal, afirmou que apoiará o governador e fará campanha com ele. Trata-se de um apoio informal, sem coligação aprovada oficialmente, posto que a decisão do diretório foi de liberar seus candidatos a apoiar qualquer um dos partidos da base do Governo Federal, tanto Cabral (PMDB) quanto Garotinho (PR).
nessa linha, Crivella afirmou, por sua vez, que aguardará a decisão sobre a possibilidade de Garotinho se candidatar.
– Eu me solidarizo com ele – disse, explicitando que torce pela liberação judicial da candidatura do ex-governador.
O senador negou que o apoio declarado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sua candidatura o impeça de apoiar Anthony Garotinho, já que o PT fechou chapa com Cabral.
– A decisão do PRB é de apoiar candidatos da base do governo Federal, o que inclui ambos – disse.