Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Cabral classifica a tragédia de "avalanche tropical" e diz que "recursos não são problema"

"Recursos não são problema. Neste momento temos duas tarefas fundamentais: resgatar os corpos e dar dignidade aos vivos", disse o governador que classificou a tragédia de "avalanche tropical". O governo federal anunciou um novo sistema de alerta, que deverá estar em funcionamento integral em até quatro anos, mas alguns de seus recursos já estarão disponíveis no próximo verão.

Terça, 18 de Janeiro de 2011 às 06:59, por: CdB
download-13.jpg
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que vai liberar 30 milhões de reais para as áreas afetadas pelas chuvas no Estado e pediu ao governo federal mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida para priorizar moradores de áreas de risco. - Recursos não são problema. Neste momento temos duas tarefas fundamentais: resgatar os corpos e dar dignidade aos vivos -, disse ele a jornalistas. "Ainda há corpos soterrados e pessoas desaparecidas. Não será um trabalho fácil nem rápido, mas vamos enfrentar", disse o governador que classificou a tragédia de "avalanche tropical". Estimativas das prefeituras locais apontam que a reconstrução vai custar cerca de 2 bilhões de reais e levará ao menos dois anos. Cabral pediu, ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que as novas unidades do Minha Casa, Minha Vida no Estado tenham como destino prioritário às famílias que moram em áreas de risco, como algumas que morreram no temporal na região serrana. - O prefeito Eduardo Paes e eu pedimos que o programa Minha Casa, Minha Vida nas cidades afetadas tenha uma vinculação direta com as moradias em áreas de risco -, disse Cabral. - Hoje, 50 por cento do cadastro é feito pelo município, e 50 por cento dos beneficiados vêm através de sorteio. Ele (Paes) sugeriu que nas áreas de risco sejam 100 por cento -, acrescentou o governador. À noite, voltou a chover em Nova Friburgo nesta segunda. Nos próximos dias, de acordo com previsão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é alta a probabilidade de chover em Nova Friburgo e Teresópolis, as duas cidades mais afetadas pela tragédia. Sistema de alerta As chuvas que provocaram uma das maiores tragédias da história do Brasil na semana passada já deixaram 665 mortos na região serrana do Rio de Janeiro, mas ainda há vítimas soterradas e áreas inacessíveis, segundo autoridades locais. Deslizamentos de terra e soterramentos provocados pelas fortes chuvas que caíram sobre a região serrana entre terça e quarta-feira da semana passada já mataram pelo menos 312 pessoas em Nova Friburgo, 276 em Teresópolis; 58 em Petrópolis e 19 em Sumidouro. Várias pessoas ainda estão desaparecidas e as equipes de resgate, formadas por membros do Corpo de Bombeiros, das Forças Armadas e da Defesa Civil, ainda tentam tirar vítimas dos escombros. - Com certeza ainda há muita gente soterrada. Junto com a chuva veio muita lama, lixo, vegetação e água. Há locais irreconhecíveis. Se perdeu tudo -, afirmou o secretário de governo da cidade de Teresópolis, Rogério Lippe. "Pela frente temos um trabalho de muito, mas muito longo prazo. Famílias perderam tudo ou foram totalmente dizimadas. Não tem nem como reivindicar um parente sumido porque não sobrou ninguém." Pelo menos 10 estradas estão total ou parcialmente interditadas e existem algumas áreas onde as equipes de salvamento ainda não conseguiram chegar. As chuvas também deixaram milhares de desabrigados e desalojados e algumas áreas estão sem água, luz e telefone. Após a tragédia, o governo federal anunciou nesta segunda-feira a implantação de um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais, que deverá estar em funcionamento integral em até quatro anos, mas alguns de seus recursos já estarão disponíveis no próximo verão. Nesta terça-feira, por determinação da presidente Dilma Rousseff, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa) sobrevoarão as áreas afetadas por soterramentos e deslizamentos de terra, que deixaram mais de 20 mil pessoas desalojadas e desabrigadas.
Tags:
Edições digital e impressa