Com acrobacias aéreas e de solo, malabaris e monociclos, oitenta alunos do Projeto Circo-lo Social, da prefeitura de Búzios, no litoral norte-fluminense, apresentam neste fim de semana o espetáculo "Obséquios" e trazem à memória algo bastante urgente de ser lembrado: gentileza gera gentileza e a sua falta produz o que vivenciamos hoje nas ruas, nos mercados, na política,
um cenário aterrador de um mundo encoberto pela rispidez e impaciência.
O coordenador do Projeto Circo-lo Social, Antônio Carlos Pap, reconhece os benefícios de se cultivar a delicadeza e a amabilidade, e na culminância da oficina de circo promovida pela secretaria municipal de Cultura, apresentará o espetáculo "Obséquios", que como o próprio nome diz é algo que se faz por alguém desinteressadamente.
– A falta de gentileza e a hostilidade nas relações contribuem para um mundo estressante, porque essas atitudes são contagiosas. Violência gera violência, hostilidade gera hostilidade, refletiu Papi.
Para o coordenador da oficina de circo e diretor geral do espetáculo, os seres humanos são em sua maioria vazios e violentos porque o espírito de gentileza nunca ganhou centralidade. "Com o ritmo acelerado as pessoas estão perdendo a noção de gentileza", registrou Papi, que nos últimos cinco anos é o responsável pela oficina no município.
O coordenador artístico do projeto em todo o tempo preconizou a disciplina e o respeito ao próximo como o principal suporte do artista de circo. O objetivo da oficina buziana não é o de formar artistas circenses, e sim seres humanos capazes de exercer com empenho e amor qualquer atividade. As oficinas são para alunos a partir dos sete anos e não têm limite de idade para quem quer aprender.