O presidente norte-americano, George W. Bush, vai tentar tranquilizar os aliados temerosos com a guerra dos Estados Unidos no Iraque quando se reunir, esta semana, com líderes dos países mais ricos do mundo. Bush também pretende lançar durante o encontro um plano de mudanças mais amplas no Oriente Médio.
Sua tarefa poderá ser menos árdua após uma viagem para a Europa para as comemorações, no domingo, dos desembarques do Dia D na França, em 1944. As cerimônias foram marcadas por palavras amáveis de elogio a um "amigo leal", ditas pelo principal oponente à guerra do Iraque, o presidente francês Jacques Chirac.
Bush, Chirac e líderes da Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia estarão reunidos de terça a quinta-feira desta semana em Sea Island, Geórgia. Esse resort isolado será protegido do resto do mundo por milhares de soldados e policiais munidos de barcos e helicópteros, bloqueios e cães farejadores.
Dias antes do encontro anual do G8 (grupo dos países mais industrializados do mundo e a Rússia), os EUA estão pressionando por uma nova resolução das Nações Unidas sobre o Iraque, antes do término formal da ocupação liderada pelos norte-americanos, em 30 de junho.
Bush e Chirac - longamente em desacordo sobre o Iraque - disseram após negociações em Paris, no sábado, que esperam chegar a um acordo em breve.
A conselheira de segurança nacional dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou no domingo que o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve chegar a uma nova resolução nos próximos dias.
Se a aliança transatlântica foi fortemente balançada pela questão do Iraque, as discordâncias foram postas de lado no aniversário dos desembarques do Dia D, no domingo. Na ocasião, os líderes homenagearam os milhares de soldados aliados que lutaram e morreram no combate.
Chirac disse que a França nunca "esqueceria o que deve aos EUA, seu amigo leal a e aliado". Já Bush afirmou que os Estados Unidos e seus aliados europeus estão ligados pelos sacrifícios de 60 anos atrás.
O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro canadense, Paul Martin, também estiveram presentes nas cerimônias.
Bush está ansioso para tornar a questão do Iraque um tema central no encontro do G8. O presidente norte-americano pretende mostrar aos líderes das nações industrializadas que o Iraque pode promover uma alteração mais ampla no Oriente Médio, e que os EUA tomaram uma iniciativa para promover uma reforma na região.
Mas Washington teve de mudar seus planos depois que uma proposta inicial, divulgada em fevereiro, desagradou os árabes, que acusaram os EUA de querer impor seus valores. Os europeus também criticaram os EUA por estarem ignorando seus próprios esforços de reforma do Oriente Médio.
Agora, o plano dá um lugar de destaque ao conflito entre israelenses e palestinos e torna claro que a reforma na região não pode ser imposta de fora.
Bush convidou diversos líderes árabes para discutir seus planos durante um almoço, na próxima quarta-feira, com outros líderes do G8. Mas as nações árabes mais influentes - Egito e Arábia audita - não estarão representadas.