O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, voltou nesta quarta-feira para Nova Orleans, que foi devastada pelo furacão Katrina, tentando curar as feridas de uma tempestade política que derrubou sua popularidade e não mostra sinais de estar passando.
A viagem de Bush, a décima dele para a cidade desde a passagem do Katrina, acontece em meio a novas críticas sobre a maneira como o governo respondeu ao desastre, o primeira da lista de problemas que balançaram a confiança do público no presidente, em seu segundo mandato.
Com a taxa de popularidade próxima aos níveis mais baixos de seu governo, Bush espera concentrar a atenção no seu pedido de 19,8 bilhões de dólares ao Congresso para a reconstrução da Costa do Golfo.
O aumento da verba federal aumentou as esperanças, mas muita gente em Nova Orleans continua frustrada com o ritmo lento dos trabalhos, principalmente nos bairros pobres, de maioria negra, que foram os mais atingidos pela cheia depois da tempestade do dia 29 de agosto.
- É uma vergonha chamar isso de América. Se esta fosse a América que Deus imaginou...todas as casas aqui já teriam sido reconstruídas agora - disse Briscoe Brazella, ao retirar os pertences de sua casa inundada em Lower Ninth Ward.
Somente um terço dos 500.000 moradores voltou para a cidade, e não está claro quantos mais voltarão. Bush enfrenta novas críticas porque um vídeo mostrou autoridades advertindo o presidente, um dia antes do Katrina, de que a proteção contra enchentes em Nova Orleans poderia falhar. Críticos disseram que é difícil aceitar a insistência da Casa Branca de que foi surpreendida pela intensidade da tempestade.
Uma pesquisa do Washington Post-ABC News mostrou que mais de seis em cada 10 norte-americanos desaprovam a maneira como Bush lidou com o Katrina. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, afirma que Bush não ficou satisfeito com a resposta federal, mas que o vídeo foi tirado do contexto.
A viagem de Bush foi programada no momento em que o presidente luta para recuperar a popularidade, que caiu para 34 por cento, segundo a pesquisa CBS News da semana passada.
Outros temas que influenciaram na queda são o pessimismo com a guerra no Iraque e o fracasso de Bush em acabar com polêmicas como o plano de uma firma de Dubai de assumir operações portuárias importantes nos EUA. A fraqueza do presidente aponta para uma luta dura dos republicanos na eleição para o congresso, em novembro.
Deputados republicanos agiram para bloquear o acordo dos portos, que consideram um risco à segurança, colocando uma emenda à legislação de gastos com o Iraque e com a ajuda na reconstrução após o furacão.