O presidente George W. Bush está na Bulgária para negociações sobre os planos dos Estados Unidos para construir um sistema de defesa antimísseis na Europa.
Em Sófia, Bush afirmou que o sistema visa a defesa contra mísseis de longo alcance que, segundo o presidente norte-americano, passariam por cima da Bulgária.
O governo da Bulgária, aliado dos Estados Unidos, está preocupado com a possibilidade de ser deixado de fora do plano, que deve incluir instalações na Polônia e na República Checa.
A questão contribuiu para o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a Rússia. Bush afirmou que espera que a proposta de especialistas norte-americanos e russos colaborarem em sistemas de defesa antimísseis diminua a tensão.
A visita de Bush a Sófia é a parte final de sua viagem de oito dias pela Europa.
A viagem levou o presidente norte-americano à reunião de cúpula do G-8 na Alemanha, além da República Checa, Polônia, Itália e Albânia.
Apoio no Iraque
Em uma entrevista coletiva com o presidente búlgaro, George Parvanov, Bush também manifestou apoio ao pedido da Bulgária de libertação de cinco enfermeiras búlgaras sentenciadas à morte na Líbia sob acusação de infectarem crianças com o vírus HIV.
O presidente norte-americano afirmou que a libertação das enfermeiras é "prioridade", e uma delegação da União Européia está na Líbia tentando negociar a libertação das cinco.
"Elas devem ser libertadas e devem receber permissão para voltarem para suas famílias", disse.
Durante a reunião formal com Parvanov e o primeiro-ministro Sergey Stanishev, Bush agradeceu à Bulgária pelo apoio no Iraque e no Afeganistão.
As forças búlgaras no Afeganistão deverão aumentar de 200 para 800 soldados. No Iraque, 13 soldados búlgaros já morreram.
Mais de três mil soldados norte-americanos devem começar a chegar a uma nova base na Bulgária em setembro, como parte da política norte-americana de mover grande parte de suas forças européias para pontos mais próximos do Oriente Médio.
A nação, que fazia parte do bloco comunista, se juntou à Otan em 2004 e agora é integrante da União Européia.
Mas a Bulgária ainda teme que, apesar de sua lealdade, o país fique fora do alcance do escudo antimísseis dos Estados Unidos.
As negociações para incluir a Bulgária nos planos de defesa norte-americanos vão apenas piorar as tensões com a Rússia, que vê o sistema como uma ameaça e um desafio à sua influência na região, segundo o correspondente da BBC Jonathan Beale.
A Rússia é contra o plano, que afirma ser uma ameaça, e o presidente Vladimir Putin ameaçou apontar os mísseis russos contra a Europa em resposta aos planos americanos.
Os Estados Unidos, por sua vez, afirmam que o escudo de defesa antimísseis não é dirigido à Rússia, mas a países como Irã e Coréia do Norte.