O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tentou na terça-feira elevar o moral das tropas que vão ter de passar mais tempo do que o previsto no Iraque. Ele prometeu treinar forças iraquianas para substituir o contingente dos EUA, mas admitiu que os resultados até agora são dúbios.
No dia em que mais um norte-americano foi morto em Bagdá, elevando para 1.000 o total de mortes em combate dos EUA no Iraque, desde a ocupação, em março de 2003, Bush deixou claro que espera dificuldades no caminho, mas não fixou prazos para o fim da presença militar no Iraque.
Ele disse que a recente ofensiva em Falluja representou "um severo golpe no inimigo", mas afirmou que os insurgentes vão "continuar lutando". Dessa vez, o discurso do presidente foi mais cauteloso do que em ocasiões anteriores.
"Algumas unidades iraquianas estão indo melhor do que outras", disse Bush a milhares de fuzileiros navais camuflados. "Alguns iraquianos foram intimidados pelos insurgentes a deixar o serviço de seu país."
Por outro lado, "muitos (soldados iraquianos) permanecem firmes", segundo o presidente, que prometeu continuar oferecendo treinamento aos contingentes locais, "para que o povo iraquiano possa finalmente assumir a responsabilidade por sua própria segurança".
Ele elogiou um novo programa de treinamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e disse que há esforços em andamento para "desenvolver um núcleo de oficiais bem treinados de primeiro escalão e de escalão intermediário".
Na segunda-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse esperar que as tropas norte-americanas saiam do Iraque dentro de quatro anos. Relatórios da CIA divulgados na terça-feira, entretanto, dizem que a situação está piorando.
A Casa Branca disse que a visita de Bush ao quartel da Califórnia teve por objetivo elevar o moral das tropas. Ao todo, ele voou mais de nove horas, contando a ida e a volta, para fazer um discurso de 30 minutos no quartel Pendleton, que já sofreu um número expressivo de baixas no Iraque.
Após o discurso, Bush almoçou no refeitório do quartel e conversou com famílias de soldados mortos em ação.
Na semana passada, o Pentágono anunciou que vai aumentar o contingente no Iraque de 138 para 150 mil, a fim de garantir a segurança nas eleições de janeiro. Isso obrigará mais de 10 mil militares a permanecerem dois meses a mais do que o previsto no Iraque.
Sobre essa ampliação do contingente, Bush disse que os EUA e seus aliados têm "uma estratégia para auxiliar no surgimento de uma democracia estável no Iraque, para ajudar o governo iraquiano a fornecer segurança durante o período eleitoral".
Ele disse que, apesar da violência prevista na reta final da campanha, as eleições vão acontecer conforme o previsto.