Em uma votação apertada, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou, no início da madrugada desta quinta-feira (horário de Brasília), o projeto de lei que condiciona a liberação de novos fundos para a guerra no Iraque a uma retirada gradual das tropas norte-americanas do país, a partir de outubro. A proposta, que provocou um impasse entre democratas e republicanos, prevê a liberação de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 203 bilhões) em novos fundos para a guerra, desde que as tropas comecem a deixar o Iraque no prazo previsto, com a retirada completa prevista para março de 2008.
O projeto recebeu 218 votos favoráveis e 208 contrários, e deve passar nesta quinta-feira pelo Senado que, assim como a Câmara, é controlado pela oposição democrata. Semanas de negociações foram necessárias até que o Legislativo chegasse à atual resolução, formulada na esteira de medidas anteriores que não condicionavam a liberação dos recursos a um cronograma final de retirada.
- Na noite de hoje, a Câmara dos Representantes votou pelo fracasso no Iraque - e o presidente vai vetar essa lei - disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.
Apesar de controlarem ambas as Casas no Congresso, os democratas não têm votos em número suficiente para impedir um veto presidencial.
- Os sacrifícios feitos pelos nossos soldados e suas famílias exigem mais do que os cheques em branco que o presidente está pedindo, para uma guerra sem fim - disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi.
Pelosi pediu ao presidente que sancione a lei, "para que possamos nos concentrar em vencer a guerra contra o terrorismo, que é a verdadeira ameaça ao povo americano". Mas Bush não demonstra qualquer sinal de que vá se afastar de sua determinação de vetar qualquer lei que condicione os gastos de guerra a um prazo para a retirada das tropas.
- Aceitar o projeto de lei proposto pela liderança democrata seria aceitar uma política que contradiz diretamente o parecer de nossos comandantes militares - disse o presidente.
Pouco antes da votação, o principal comandante militar norte-americano no Iraque, o general David Petraeus, fez um último esforço para tentar persuadir os legisladores contra a proposta. O comandante tentava ganhar apoio para o plano de Bush de aumentar o número de soldados norte-americanos no Iraque, na chamada "escalada", para melhorar as condições de estabilidade no país.
Nem todas as tropas extras previstas já chegaram ao Iraque. A proposta dos democratas também foi criticada pelo ministro de Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, em entrevista à rede inglesa de TV BBC durante uma visita ao Irã - onde negocia a participação do governo iraniano em um encontro regional que será realizado no Egito na próxima semana e deverá ter como tema principal a segurança no Iraque.
Segundo Zebari, os esforços do Congresso norte-americano para estabelecer um "prazo irreal" para a retirada das tropas (a partir de outubro) "não vão ajudar na segurança nem no desenvolvimento político" do Iraque. O ministro iraquiano disse estar impressionado com o fato de um prazo para a retirada das tropas norte-americanas estar em discussão no momento em que a resolução da ONU sobre o mandato da coalizão liderada pelos Estados Unidos está prestes a ser renovada, em junho.