O presidente dos EUA, George W. Bush, deve se apoiar no primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, ao desembarcar em Londres nesta terça-feira para uma visita de três dias, a primeira dele a uma capital do oeste da Europa desde que a guerra contra o Iraque polarizou o mundo. Manifestantes prometeram dar ao presidente, durante a visita, sua primeira dose do desgosto da Europa com a guerra. Bush será recebido pelo príncipe Charles e deve passar três noites no Palácio de Buckingham como convidado da rainha Elizabeth II.
Os organizadores dos protestos esperam reunir 100 mil pessoas em uma manifestação na qual prometem derrubar uma estátua gigantesca de Bush a ser colocada na Trafalgar Square (Londres), reencenando a derrubada da estátua de Saddam Hussein em abril, em Bagdá (capital do Iraque). Os serviços de segurança de Bush, temendo um atentado da Al Qaeda, descartaram a possibilidade de o dirigente realizar o tradicional passeio de carruagem pela cidade ao lado da rainha.
A polícia britânica prometeu montar o maior aparato de segurança já dedicado a um líder estrangeiros em visita ao país. Os atentados suicidas contra sinagogas em Istambul (Turquia), neste fim de semana, aumentaram o nível de tensão. Comentaristas britânicos dizem que a visita será incômoda para Blair, criticado devido à invasão do Iraque.
Mas, se o premier britânico é realmente um anfitrião relutante, não deu sinais disso, tendo defendido com energia, na semana passada, sua decisão de dar apoio a Bush durante a guerra. E, de todo modo, apesar das muitas notícias sobre a impopularidade do dirigente norte-americano na Grã-Bretanha, uma pesquisa divulgada pelo jornal The Guardian mostrou que a maior parte dos eleitores britânicos viam a visita com bons olhos e que 62% deles identificavam os EUA como uma "força do bem no mundo".