O governo Bush retirou secretamente uma equipe militar de 400 pessoas do Iraque, cujo trabalho era vasculhar o país em busca de equipamentos militares, de acordo com autoridades seniores do governo.
A ação foi descrita por alguns militares como um sinal de que o governo pode ter reduzido suas previsões e não espera mais encontrar as armas químicas e biológicas citadas pela Casa Branca como principal razão para justificar a guerra em março último.
Uma outra equipe militar especializada na disposição de armas químicas e biológicas continua parte do Grupo de Pesquisa do Iraque, que conta com 1.400 membros, cujo trabalho tem sido vasculhar o Iraque há mais de sete meses a um custo de centenas de milhões de dólares. Mas essa equipe "ainda espera algo para expor", disse um membro do grupo.
Algumas autoridades do governo disseram que as evidências mais importantes poderiam estar contidas em uma vasta coleção de documentos iraquianos apreendidos, reunidos em um depósito militar secreto no Catar. Apenas alguns deles foram traduzidos.
Autoridades de inteligência reconheceram nos últimos dias que o grupo ainda não encontrou armas ou programas ativos, mas em entrevistas, eles disseram que a busca deve continuar para garantir que nenhuma arma escondida surja em um futuro ataque.
- Nós tememos pelo que pode ter acontecido com essas armas - disse Stuart Cohen, vice-presidente do Conselho Nacional de Inteligência, em uma entrevista exibida na última terça-feira no programa "Nightline", da ABC News. "As teorias são muitas".
A busca pelas armas americanas continua a ser "o foco primário" do grupo, disse um funcionário do Departamento de Defesa. Mas ele reconheceu que a maioria dos lingüistas e analistas de inteligência designados para a equipe tem recebido outras tarefas relacionadas ao combate da insurgência iraquiana em vez da busca de armas.
A equipe de 400 membros do Iraque, conhecido como Grupo de Exploração de Material Apreendido, era primariamente composta de especialistas técnicos e era liderada por um brigadeiro australiano.
Seus trabalhos incluíam a busca por depósitos de armas e outras instalações para lançadores de mísseis que poderiam ser usados como armas ilícitas, disseram autoridades, e o grupo foi retirado "porque seu trabalho já estava essencialmente encerrado".
- Eles recolheram tudo que era válido - disse uma autoridade. A equipe de disposição de armas continua trabalhando, conhecida como Força-Tarefa D/E, para desativação e eliminação, na coleta de materiais suspeitos, apesar de nenhum fazer parte de programas de armas ilícitas.