O governo americano determinou nesta terça-feira que a sua embaixadora na Síria, Margaret Scobey, volte aos Estados Unidos.
A decisão foi tomada depois do atentado que matou o ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri na segunda-feira em Beirute.
A Síria exerce uma forte influência no Líbano e tem sido um foco de atenção da política externa americana.
As investigações iniciais sobre o atentado indicam que a ação foi realizada por um suicida.
Luto
Segundo o ministro do Interior do Líbano, Suleiman Franjieh, um veículo carregado com explosivos foi conduzido na direção do comboio em que viajava Hariri antes da explosão.
- Os serviços de segurança têm quase certeza de que se trata de um carro-bomba suicida. Isto não é um anúncio oficial, mas é quase certo - disse Franjieh numa entrevista coletiva.
O país começou um período de três dias de luto nacional em homenagem ao ex-primeiro-ministro.
Escolas, bancos e lojas estão fechados. As ruas em Beirute estão praticamente desertas e as mesquitas estão organizando orações em homenagem a ele.
O Exército do Líbano foi colocado em alerta e foram instalados postos de controle em vários pontos da cidade.
Além de Hariri, pelo menos outras 13 pessoas morreram na explosão de um carro-bomba em uma movimentada rua junto à orla marítima e cerca de 120 pessoas foram feridas.
A correspondente da BBC em Beirute Kim Ghattas disse que o ataque deixou o país em estado de choque e despertou temores de uma volta à guerra civil que devastou o país na década de 80.
Hariri será sepultado com honras de Estado na quarta-feira.
Mobilização geral
As Forças Armadas do Líbano disseram num comunicado que:
- Pediram uma mobilização geral de todas as unidades do Exército - e elevaram o estado de alerta ao máximo para "proteger a estabilidade".
Hariri era considerado um opositor político do atual presidente, Émile Lahoud, tido como um aliado da Síria - país que mantém tropas em território libanês.
Líderes da oposição no país acusaram os governos libanês e sírio de estarem por trás do ataque e exigiram a renúncia de Lahoud e a retirada das tropas sírias antes das eleições de maio.
No entanto, num vídeo transmitido pelo canal de televisão Al-Jazeera, um grupo islâmico desconhecido até então reivindicou a ação.
O grupo se identifica como Vitória e Jihad na Síria e no Líbano e diz ter assassinado Hariri por causa de seus laços comerciais com o governo da Arábia Saudita. No vídeo, os supostos militantes também dizem que o atentado foi suicida.
Reações
Apesar das acusações da oposição libanesa, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, afirmou que o atentado é um "ato criminoso terrível".
O governo dos Estados Unidos também condenou o ataque, dizendo que o Líbano deveria poder buscar um futuro político:
- Livre da violência e livre da ocupação síria.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse, porém, que não estava tentando vincular a Síria ao atentado, acrescentando que o governo americano não sabe quem é o responsável pela operação, segundo a agência de notícias Reuters.
A ex-metrópole colonial do Líbano, a França, cujo líder, presidente Jacques Chirac, tinha laços próximos com Hariri, pediu uma investigação internacional sobre o atentado.
No ano passado, a França foi co-autora de uma resolução das Nações Unidas que pedia a retirada das tropas sírias do Líbano.
Segundo a agência de notícias Reuters, Hariri continuou influente politicamente desde a renúncia e juntou-se aos pedidos da oposição para a retirada das tropas sírias do Líbano às vésperas de eleições gerais em maio.
Kuwait, Egito, Jordânia, Autoridade Palestina, Grã-Bretanha e Arábia Saudita condenaram o assassinato desta segunda-feira em Beirute, segundo a Reuters.