O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, voltou a defender na terça-feira o Patriot Act (Lei Patriota), afirmando que o conjunto de medidas aprovado pelo Congresso logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 é uma arma essencial no combate ao terrorismo.
Ao lado de um promotor que ajudou a desmantelar uma suposta célula da Al Qaeda, Bush disse que há instrumentos para evitar que o Patriot Act ultrapasse os limites das liberdades civis e da privacidade.
``Aqueles que criticam o Patriot Act devem escutar'', disse Bush. ``O Patriot Act defende nossa liberdade.''
Foi o segundo discurso de Bush sobre o assunto em dois dias. O presidente, em campanha pela reeleição, pretende usar a extensão do Patriot Act como forma de reforçar suas credenciais na segurança nacional, abaladas pela investigação por um painel bipartidário dos ataques de 11 de setembro. O objetivo do inquérito é saber se o governo poderia ter feito mais para evitar os ataques.
Os críticos do Patriot Act afirmam que ele deu poder demais aos agentes federais. Dizem que algumas de suas medidas, como a facilitação do grampo de telefones, ameaçam a privacidade.
``É importante que nossos amigos cidadãos entendam que, quando se fala do Patriot Act, há garantias constitucionais quando se trata de fazer o necessário para proteger nossa pátria, porque damos valor à Constituição'', rebateu Bush.
Algumas das medidas devem expirar no fim do ano que vem, como as que permitem a agentes de inteligência e policiais trocar informações sobre suspeitos de terrorismo e facilitam a expedição de mandados de busca.
Bush não escolheu Búfalo, no Estado de Nova York, por acaso para falar sobre a lei. Ali, seis norte-americanos de origem iemenita confessaram ter participado de um treinamento da Al Qaeda no Afeganistão. Ao lado do presidente, no palanque, estava Michael Battle, o promotor que ajudou a investigar e indiciar a célula dos chamados ``Seis de Lackawanna''.
Autoridades norte-americanas acreditam que a Al Qaeda possa estar planejando um novo grande ataque para antes das eleições presidenciais nos EUA, em 2 de novembro. Bush disse que a renovação do Patriot Act é essencial para evitar ataques como esses.
O virtual adversário de Bush, o democrata John Kerry -- que, assim como a maioria do Congresso, votou a favor da lei mas acha que ela deve ser modificada -- disse que o Patriot Act não contribuiu muito na troca de informações de inteligência, em boa parte por causa das disputas territoriais entre as agências de do governo.
''O presidente está tentando rescrever a história para mostrar que o Patriot Act foi uma panacéia para as falhas de inteligência expostas pelos ataques de 11/9'', disse a campanha de Kerry num comunicado.
Apesar das críticas a Bush, uma pesquisa Washigton Post-ABC News mostrou que o presidente ainda tem uma vantagem significativa sobre Kerry na percepção popular de quem é mais bem preparado para lidar com o Iraque e com a guerra contra o terrorismo.