O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na segunda-feira que compreendia por que o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, estava retirando suas tropas do Iraque, ao receber o governante na Casa Branca.
- Ele está cumprindo uma promessa de campanha. Compreendo totalmente - disse Bush numa entrevista coletiva conjunta com Yushchenko, que trazia no rosto as marcas do envenenamento por dioxina que sofreu no ano passado, durante a campanha à Presidência, no que afirma ter sido uma tentativa de assassinato.
Yushchenko começou a retirar os 1.600 soldados ucranianos do Iraque, e a retirada deve ser concluída até meados do segundo semestre. A presença militar da Ucrânia no Iraque é impopular no país.
O presidente disse que a Ucrânia ainda tem o compromisso de ajudar a treinar as forças iraquianas. A necessidade do treinamento é o maior obstáculo à saída dos EUA do Iraque, já que as forças de segurança iraquianas ainda não são capazes de manter o país calmo.
Yushchenko está fazendo uma viagem de três dias a Washington, e deve falar ao Congresso norte-americano na quarta-feira.
Ele foi eleito num pleito polêmico, depois de a primeira eleição, vencida por seu adversário, o candidato pró-Rússia Viktor Yanukovich, ter sido anulada por pressão popular e denúncias de fraude.
- Nossa conversa começou comigo dizendo que, para a Ucrânia, foi um caminho muito longo até o Salão Oval - disse Yushchenko sobre seu encontro com Bush.
Os Estados Unidos e a Rússia vêm disputando a influência sobre a região desde a queda da União Soviética. Bush chamou os protestos que abriram caminho para a eleição de Yushchenko de "Revolução Laranja", que deve se espalhar para outros países.
Eles conversaram sobre o que está acontecendo no Líbano, no Quirguistão, na Moldávia e em Belarus, disse Bush.
Yushchenko também manifestou o interesse do país em entrar para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). Antes de se libertar do domínio soviético, a Ucrânia foi governada por 300 anos pela Rússia.
Bush disse que apoiaria a pretensão da Ucrânia, mas que a entrada na Otan não é garantida, porque o país primeiro tem de cumprir as exigências para entrar na aliança.
- Apóio a idéia de a Ucrânia se tornar membro da Otan. Acho importante - disse Bush, que vai à Letônia, à Holanda, à Rússia e à Geórgia em maio, para lembrar o 60o. aniversário da Segunda Guerra Mundial e dar apoio às reformas democráticas nas ex-repúblicas soviéticas.
Bush também afirmou que apoiará a tentativa da Ucrânia de entrar na Organização Mundial do Comércio, e que pedirá ao Congresso dos EUA que suspenda as restrições comerciais com o país.
Bush recebe Yushchenko e diz que entende retirada do Iraque
Segunda, 04 de Abril de 2005 às 12:49, por: CdB