O presidente americano George W. Bush considerou "útil" o relatório da Comissão de Inteligência do Senado com críticas sobre os informes fornecidos pelo serviço secreto americano (CIA) a respeito do Iraque e do terrorismo.
Durante um discurso em Kutztown, no estado da Pensilvânia, Bush afirmou que desejava saber como melhorar a agência e que o relatório em questão será apropriado para isto, apesar de admitir que não o leu ainda.
"Ainda não li o relatório, mas sei que é bastante crítico", declarou. "Houve erros. Achávamos que encontraríamos os arsenais de armas. Eu pensei isso, o Congresso pensou, as Nações Unidos pensaram", acrescentou.
Apesar de admitir os erros dos informes da CIA, Bush reafirmou sua convicção de que Saddam Hussein, o ex-ditador iraquiano, tinha a intenção de fabricar armas de destruição em massa.
"Vou lhes dizer o que sabíamos: Saddam Hussein tinha capacidade para fabricar essas armas. E tinha a intenção de fazê-lo. Sabemos que detestava a América, que financiava famílias de camicases, que torturava seu próprio povo. Não achamos os arsenais, mas sabemos que ele poderia existir e que era um homem perigoso. O mundo está melhor sem Saddam Hussein, a América está mais segura", declarou sob aplausos da audiência.
Os Estados Unidos tinham afirmado que o Iraque possuía armas de destruição em massa e decidiram em março de 2003 invadir o país para derrubar Saddam Hussein. No entanto, nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada no país após a queda do ditador.
A CIA é acusada no relatório da comissão parlamentar de ter transmitido informações "exageradas" e "sem sustentação" sobre armas de destruição em massa no Iraque.
O diretor da CIA, George Tenet, demitiu-se no início de junho e deixa suas funções neste final de semana. Bush ainda não nomeou um substituto, que deve ser aprovado pelo Senado e será alvo de muita discussão.
"Um dos elementos essenciais para garantir nossa segurança é reunir as melhores informações possíveis", acrescentou Bush. "Vai haver muita discussão em Washington sobre a reforma das agências e eu estou feliz de poder trabalhar com o Congresso em reformas eficazes", disse.
Segundo o presidente, suas prioridades foram "melhorar as informações das fontes" porque "melhorar o conhecimento sobre como o inimigo pensa exige conhecê-lo diretamente".
Bush também avaliou que é necessário "utilizar as tecnologias para melhor ouvir e ver. Nós devemos nos assegurar que as agências de informações estão em progresso".
"Há várias agências que recolhem informações para Washington. É necessário que haja uma melhor coordenação entre elas", acrescentou. Os autores do relatório da comissão informam que nada indica que o governo Bush tenha tentado influenciar ou fazer pressão para que a CIA modificasse suas conclusões sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque.
Entretanto, o número dois da Comissão de Inteligência do Senado, o democrata John Rockefeller, disse que não está inteiramente convencido de que não houve pressões políticas sobre a CIA. "Existe uma verdadeira frustração em relação a este ponto. Eu gostaria que a administração tivesse cooperado mais."