Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Bush propõe cortes em programas sociais para conter déficit

Segunda, 07 de Fevereiro de 2005 às 14:20, por: CdB

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, propôs nesta segunda-feira orçamento de 2,5 trilhões de dólares para 2006 que corta gastos com programas sociais em meio a esforços para diminuir o déficit fiscal do país, que aumentou durante seu governo. A Casa Branca considera esta proposta a mais austera desde a era Reagan.

Há muita dúvida de que o Congresso, mesmo que dominado pelo Partido Republicano, aprove os cortes e alguns questionam Bush a respeito de sua decisão de seguir adiante com a proposta orçamentária, já que ainda precisa vetar uma lei prevendo aumento dos gastos públicos.
Segundo a oposição democrata, o presidente está obrigando as camadas mais pobres da população a absorver o grosso do sacrifício depois de ter concedido bilhões de dólares em benefícios fiscais para as classes mais ricas em seu primeiro mandato.

Os republicanos podem se opor a cortes em áreas de grande apelo popular, como a dos incentivos agrícolas. O Pentágono, sede das Forças Armadas, e o Departamento de Segurança Interna estão entre os poucos setores do governo para os quais não haverá cortes, mas o aumento de gastos nessas áreas cresceu menos.

Bush deve cortar os programas de incentivo agrícola em 2,9 por cento e espremer 45 bilhões de dólares do programa de assistência médica para a população carente (Medicaid), abolir os subsídios para os sistemas ferroviários Amtrak e cortar em 4,5 por cento os programas de desenvolvimento comunitário.

Segundo o presidente, sua proposta orçamentária:

- Avalia com rigor os programas que não tiveram sucesso ou não mostraram progresso, apesar das várias oportunidades para fazê-lo.

Do recorde deste ano de 427 bilhões de dólares, o déficit orçamentário deve cair para 390 bilhões em 2006 e 251 bilhões em 2008, afirmou a Casa Branca.

Aumento do déficit público

Mesmo que Bush atinja sua meta, a dívida pública total dos Estados Unidos incharia para 11 trilhões de dólares em 2010. Atualmente, ela está em 8 trilhões de dólares.

A proposta orçamentária deixa de fora alguns gastos importantes, como os envolvidos nas operações militares no Iraque e no Afeganistão e os empréstimos exigidos para implementar o plano de Bush de acrescentar contas privadas de aposentaria à previdência pública.

Dentro de alguns dias, o presidente deve pedir outros 80 bilhões de dólares para custear os conflitos no Iraque e no Afeganistão neste ano, além dos 25 bilhões já fornecidos para 2005.

- Haverá muitas reclamações - reconheceu o republicano Jim Nussle, presidente da Comissão Orçamentária da Casa dos Representantes (deputados).

Dos 15 departamentos do governo federal, nove terão cortes, entre os quais uma redução de 11,5 por cento no Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Especialistas da área advertiram que tais cortes obrigariam comunidades a fechar centros para jovens, por exemplo.

Gastos com os militares

O Pentágono deve receber 18,2 bilhões de dólares a mais, ficando com 419,3 bilhões no próximo ano. Mas o aumento de 4,8 por cento é menor que o de 7 por cento que Bush pediu para o ano de 2005.

O Departamento de Defesa pretende diminuir os gastos com a compra de armas em 6 bilhões de dólares neste ano fiscal e 30 bilhões de dólares até 2011. A Casa Branca informou que o Departamento de Segurança Interna, encarregado de evitar ataques terroristas, receberia quase 7 por cento a mais neste ano, ficando com 34,2 bilhões de dólares.

Bush pediu 3 bilhões de dólares para o Programa Desafio do Milênio, menos que os 5 bilhões de dólares que havia prometido. O programa visa ajudar países pobres a realizar reformas políticas. O pacote de ajuda também inclui: 640 milhões para o Paquistão; 450 milhões para a Jordânia; 437 milhões para a luta contra o tráfico de drogas no Afeganistão; e 550 milhões em ajuda para a Colômbia.

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