O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na sexta-feira que vai dizer reservadamente ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, o que está afirmando em público: que o plano de paz norte-americano para o Oriente Médio não admite a expansão dos assentamentos judaicos.
"Podem apostar", disse Bush quando questionado sobre se tocaria no assunto na segunda-feira, quando recebe Sharon em seu rancho, no Texas. "O que eu digo em público eu digo em privado". afirmou ele a bordo do avião presidencial, voltando do funeral do papa João Paulo 2o.. "E (o que eu digo) é que o mapa da paz tem obrigações claras a respeito de assentamentos, e que esperamos que o primeiro-ministro faça sua adesão a estas obrigações do mapa da paz."
Autoridades israelenses vêm tentando tranquilizar Washington sobre os planos para construir 3.500 casas entre o assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia, e a cidade de Jerusalém. A proposta irritou os líderes palestinos, que alertam para a possibilidade de rompimento do processo de paz.
Embora membros do governo norte-americano manifestem preocupação com o projeto, Bush não chegou a criticá-lo diretamente. Elogiando Sharon, ele disse que "é hora de a atenção do mundo se concentrar no que é possível", ou seja, a desocupação da Faixa de Gaza, a ser iniciada em julho.
A questão dos assentamentos deve ser o único ponto de discordância na reunião do Texas. "Minha posição é clara", disse Bush, que prometeu pressionar Israel a aceitar sacrifícios para obter a paz.
Os palestinos temem que o projeto de Maale Adumim os isole da parte oriental de Jerusalém, que eles reivindicam como capital de seu futuro Estado.
Sharon considera que a ampliação do maior assentamento israelense, onde vivem 30 mil pessoas, está de acordo com a garantia dada em junho por Bush de que Israel poderá manter vários assentamentos da Cisjordânia após o acordo de paz final.
Sharon irá ao rancho de Bush no Texas após vários anos de reuniões na Casa Branca. A mudança do local é vista como uma deferência do governo a um aliado que é muito criticado em seu país pela desocupação da Faixa de Gaza.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, deve se reunir com Bush em um dia ainda não definido de maio.