Reformas políticas são imprescindíveis para combater o extremismo no Oriente Médio, mas os Estados Unidos não vão impor a democracia à região, disse nesta terça-feira o presidente George W. Bush ao fim da cúpula da Otan, na Turquia.
Discursando no único país muçulmano da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Bush afirmou que as mudanças políticas trarão prosperidade e estabilidade, o que reduzirá o apoio que os militantes recebem.
- A conquista histórica da democracia no Oriente Médio será uma vitória compartilhada por todos - disse Bush, encerrando uma viagem de cinco dias para reuniões com líderes da União Européia e da Otan.
O presidente dos EUA chamou o Iraque de 'a mais nova democracia do mundo' e disse que o país é um exemplo de florescimento da liberdade para o restante da região. Os EUA transferiram oficialmente a soberania do Iraque para um governo interino na segunda-feira, dois dias antes do previsto, para evitar mais violência.
As críticas dos norte-americanos a Bush pela atuação no Iraque são cada vez maiores, prejudicando sua intenção de se reeleger em novembro. O presidente quer mostrar que o Iraque caminha para a paz, apesar da presença de uma força internacional liderada pelos EUA e composta por 160 mil soldados.
A administração Bush vem pressionando o Oriente Médio por reformas políticas desde os ataques de 11 de setembro de 2001.
O Grupo dos Oito, que reúne os países mais industrializados do mundo, reescreveu uma iniciativa regional proposta por Bush para a região, acusando o texto original de tentar impor valores ocidentais aos árabes, de paternalismo e de ignorar o conflito israelo-palestino.
O discurso de Bush pareceu levar em conta algumas dessas críticas.
- O futuro da liberdade do mundo islâmico vai ser determinado pelos cidadãos das nações islâmicas, não por forasteiros - disse.
Ele citou como exemplo a democracia secular turca e tentou evitar a percepção de que as liberdades ocidentais necessariamente signifiquem uma lassidão moral inaceitável para sociedades árabes conservadoras.
- Algumas pessoas nas culturas muçulmanas identificam a democracia com o pior tipo de cultura popular ocidental - disse ele.
- Não há incompatibilidade entre os valores democráticos e padrões rígidos de decência.
O presidente prometeu reforçar os laços de confiança e boa vontade entre nós e os povos do Oriente Médio, mas não repetiu o pedido de desculpas pelo escândalo de maus-tratos de prisioneiros iraquianos, que agravou as relações dos EUA com o mundo árabe.
Bush citou Síria e Irã como exemplo de países que deviam temer um destino semelhante ao do Iraque.
- Os líderes da região, incluindo alguns amidos dos EUA, precisam reconhecer o direcionamento dos fatos atuais. Qualquer nação que se compromete com extremistas violentos só os incentiva e os convida a mais violência - afirmou.
- Reprimir a dissidência só aumenta o radicalismo - disse Bush.