O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu na terça-feira que a guerrilha libanesa Hizbollah deponha suas armas e trabalhe pela paz para provar que não é uma organização terrorista.
Autoridades norte-americanas dizem que aceitariam um papel político para o Hizbollah caso o grupo, responsável por ataques contra Israel a partir do sul do Líbano, se desarme.
A organização já é um partido político, com deputados no Parlamento libanês, e na semana passada demonstrou sua força ao atrair centenas de milhares de pessoas para uma manifestação a favor da Síria no centro de Beirute, justamente no momento em que Washington pressiona Damasco a desocupar o Líbano.
- Vemos o Hizbollah como uma organização terrorista, e espero que o Hizbollah prove que não o é, depondo suas armas e não ameaçando a paz - disse Bush a jornalistas, ao lado do rei Abdullah, da Jordânia.
Ele disse que discutiu com o rei a possibilidade de que o Hizbollah tente prejudicar o processo de paz entre israelenses e palestinos. Mas, num aparente gesto conciliatório, Bush afirmou que "o Hizbollah foi declarado como organização terrorista pelos Estados Unidos por causa de suas atividades terroristas do passado", dando a entender que o grupo pode sair da lista no futuro.
O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que a primeira etapa da desocupação militar síria no Líbano é um passo animador, mas reiterou a exigência de que Damasco retire todos os seus soldados e agentes de inteligência do país vizinho ainda antes das eleições libanesas marcadas para maio.
Bush, que está dedicando estes primeiros meses de seu segundo mandato a promover a democracia no Oriente Médio, foi delicado ao tocar nesse assunto com Abdullah, que é um importante aliado dos EUA na região.
A Jordânia é uma monarquia constitucional em que os cidadãos têm direitos políticos limitados. O rei aponta o primeiro-ministro, o gabinete e os 55 senadores. Os 110 deputados nacionais são eleitos diretamente.
Bush disse que um recente acordo de livre-comércio com os EUA vai tornar a Jordânia mais próspera.
- É muito mais fácil fazer reformas quando há prosperidade, quando as pessoas conseguem ver a visão de sua majestade a respeito de um futuro próspero - afirmou.
Os dois líderes também discutiram o processo de paz do Oriente Médio. Bush disse que palestinos e israelenses precisam fazer sacrifícios, e causou surpresa ao dizer que:
- Israel deve se retirar dos assentamentos.
Uma importante fonte do governo disse que não houve mudança na posição oficial dos EUA sobre o tema. Washington defende a paralisação nas atividades dos assentamentos.