Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

Bush, o avalista da tortura

Por Ariel de Castro Alves - A tortura é o tipo de crime que só ocorre por ação ou omissão de agentes do Estado. No Iraque, os torturados foram vitimados pelo unilateralismo dos EUA e as práticas criminosas que são política de Estado do governo Bush. (Leia Mais(

Terça, 15 de Junho de 2004 às 08:13, por: CdB

A data de 26 de junho é o dia internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) de apoio às vítimas de tortura. Portanto, o mês de junho, além do próprio dia 26, é momento de lembrar as muitas vítimas deste crime contra a humanidade. Os iraquianos torturados por americanos na prisão de Abu Ghraib, as vítimas de tortura do regime militar brasileiro, e os torturados diariamente no Brasil ou no mundo, pelos mais variados motivos de ódio, intolerância, racismo, classe social, etnia, religiosidade, entre tantos outros. Muitas vezes, em nome de um suposto combate ao crime (como no Brasil) ou ao terrorismo (no caso americano).

Acima de tudo, é momento de lutar contra essa chaga que acompanha a sociedade desde os primórdios e que continua sendo aplicada em larga escala, em regra: para se obter informações em investigações policiais ou como forma de castigo, repressão, humilhação ou vingança. Pau de arara, arrancamento de unhas, afogamentos, abusos sexuais, queimaduras, choques elétricos, espancamentos coletivos, obrigar a comer fezes e beber urina, privação de alimentação ou de atendimento médico, ameaças, submissão a sofrimento psicológico, entre tantas outras, são modalidades amplamente empregadas em repartições policiais, presídios e outros espaços de contenção de liberdade no mundo todo, em tempos de "paz" ou de "guerra".

A tortura é o tipo de crime que só ocorre por ação ou omissão de agentes do Estado. No caso do Iraque, os torturados foram vitimados pelo unilateralismo americano e as práticas criminosas que se tornaram política de Estado do governo George W. Bush, sendo ele próprio o principal algoz. Não por acaso, o presidente dos EUA mentiu para declarar a guerra contra o Iraque e agora mente novamente, junto com o primeiro ministro inglês, ao se dizer "surpreso" e "chocado" com as imagens de presos iraquianos sendo torturados e humilhados por soldados e oficiais americanos na prisão que sempre foi palco de barbárie, desde os tempos do sanguinário ditador Saddan Hussein.

Os fatos registrados em fotos que impressionaram a opinião pública já haviam sido denunciados pela Cruz Vermelha e pela Anistia Internacional muito tempo antes da exibição das imagens, e nada foi feito pelo governo americano para conter os torturadores, assim como nada tem sido feito com relação às prisões ilegais de muçulmanos, latinos e estrangeiros considerados "suspeitos" nos EUA e para cessar os maus tratos e torturas de prisioneiros na prisão americana de Guantánamo, em Cuba.

Independentemente da existência ou não de imagens, pois bastam os relatos das vítimas para comprovar, a tortura é crime contra a humanidade. O Estado americano há muito vem violando a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, a Convenção da ONU contra a tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes, de 1984, assim como a Convenção Interamericana para prevenir e punir a tortura, de 1985, entre outros instrumentos internacionais. As autoridades que se omitem também respondem pelo crime, conforme previsão expressa da legislação internacional. Embora se coloque como guardião da aplicação desses compromissos, o governo americano tem sido um dos mais vorazes violadores.

É importante ressaltar que os EUA sempre estimularam o uso de tortura - muitos dos torturadores brasileiros se formaram na denominada "Escola das Américas". A CIA também sempre usou a tortura como método habitual em seus interrogatórios, assim como a polícia brasileira ainda a usa para obter confissões e "esclarecer crimes".

Em nome da "guerra ao terror", condenada em recente relatório da Anistia Internacional, o governo americano utiliza a tortura, promove genocídios e carnificinas no Iraque e em vários países do mundo. Segundo a AI, "a situação dos direitos humanos é a pior dos últimos 50 anos".

Em vez de combater as verdadeiras causas do terrorismo - desigualdades, discriminações, exclusões, intolerâncias, fundamentalismos -

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