Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Bush muda discurso e se diz o presidente da paz

Terça, 20 de Julho de 2004 às 19:06, por: CdB

Após provocar duas guerras, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que quer ser um presidente da paz. A declaração ataca seus adversários democratas nas eleições presidenciais, John Kerry e John Edwards, que são advogados.

Diante das pesquisas que apontam cada vez menos apoio à guerra no Iraque, Bush se mostrou como um guerreiro ao fazer campanha em Iowa, Estado eleitoralmente importante, no qual em 2000 ele foi derrotado por cerca de 4 mil votos.

"O inimigo declarou guerra contra nós", disse ele no comício. "Ninguém quer ser o presidente da guerra. Eu quero ser o presidente da paz". Em fevereiro, porém, Bush dizia: "Sou um presidente da guerra. Tomo decisões aqui no Salão Oval a respeito da política externa tendo a guerra em minha mente."

Apesar do aumento da violência no Iraque e de temores de novos atentados da Al-Qaeda, Bush disse que as guerras no Afeganistão e no Iraque já tornaram os Estados Unidos mais seguros, e que sua reeleição o permitiria concluir a tarefa. "Por um tempo estivemos marchando para a guerra. Agora estamos marchando para a paz. A América [EUA] é um lugar mais seguro. Mais quatro anos, e a América será segura, e o mundo será mais pacífico", disse Bush.

As filhas gêmeas do presidente, Jenna e Barbara Bush, participaram do comício, e o porta-voz do candidato, Scott Stanzel, disse que a partir de terça-feira elas entrarão na campanha em eventos longe do pai, fechados à imprensa, em Missouri, Ohio e Pensilvânia.

Bush e Kerry travam uma disputa acirrada em Iowa, com ligeira vantagem para o democrata, segundo as pesquisas.

Ainda na terça-feira, Bush faria um comício em Missouri, onde ele venceu por 3 pontos percentuais em 2000. Numa demonstração da importância desse Estado, o vice-presidente Dick Cheney já fez campanha por lá na segunda-feira.

Bush e Cheney vêm ressaltando o fato de seus adversários serem advogados de tribunal, uma categoria que, na opinião do presidente, é responsável pela avalanche de processos de indenização que inundam os tribunais e podem quebrar pequenas empresas. Os democratas recebem doações dos advogados, enquanto as empresas tendem a preferir os republicanos.

"Não sou um advogado, vocês vão gostar de ouvir isso", disse Bush, sob aplausos. "Esse é o outro time. Este aqui é a favor do time das pequenas empresas."

Ele também criticou a chapa democrata por não apoiar no Senado uma verba de 87 milhões de dólares para a presença militar dos EUA no Iraque e a reconstrução do país.

A campanha republicana se diz cada vez mais otimista com suas chances de Missouri, porque Kerry reduziu sua verba de publicidade no Estado, às vésperas da convenção nacional democrata que homologará seu nome.

Mas a campanha de Kerry diz que não está cedendo terreno, apenas conservando recursos para a fase final da campanha e despejando dinheiro em outros Estados disputados. "Missouri é um Estado muito competitivo [disputado], e vamos lutar por cada voto", disse o porta-voz de Kerry, Phil Singer.

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