Rio de Janeiro, 21 de Agosto de 2026

Bush lida com duas bombas políticas em Washington

Por David Corn - Da forma pela qual a Casa Branca de Bush manipula duas bombas políticas - a declaração de Wilson e a WMDs MIA - duas questões se impõe: pode Bush e sua turma prever abalos e podem os democratas dificultar Bush a suavizar estas controvérsias e escapar sem qualquer explicação? (Leia Mais)

Sábado, 01 de Novembro de 2003 às 08:12, por: CdB

Da forma pela qual a Casa Branca de Bush manipula duas bombas políticas - a declaração de Wilson e a WMDs MIA - duas questões se impõe: pode Bush e sua turma prever abalos e podem os democratas dificultar Bush a suavizar estas controvérsias e escapar sem qualquer explicação?

Sem a pressão da mídia da comunidade política de Washington, um consenso vai surgindo: o caso da declaração de Wilson vai perdendo força, o que já era esperado. O pico de atenção já ocorreu há algumas semanas, seguiu a surpreendente revelação de que a CIA requisitou ao Departamento de Justiça a investigação da declaração noticiada no dia 14 de julho na coluna de Robert Novak, que identificou a esposa do Embaixador Joseph Wilson como funcionária da CIA na área de desarmamento. Wilson criticou a política de administração de Bush no Iraque - particularmente sua alegação de que o Iraque possuía depósitos de urânio - e a declaração, atribuída por Novak a dois "oficiais graduados da administração", pareceu querer punir ou tirar crédito de Wilson. Pode ter ocorrido, ali, a violação da lei federal de identificação de oficiais de governo disfarçados.

Uma vez ultrapassado o choque inicial - a CIA e a Casa Branca em briga - o caso passou para uma questão processual: a direção da investigação. Uma dúzia ou mais de agentes do FBI examinando documentos, agendando entrevistas. Esse tipo de coisa não é o que se vê nas manchetes de jornais tradicionalmente. A investigação passou a fazer parte da agenda diária de Washington. Como tal, já não é mais forragem para os ecos dos noticiários dos jornais das tvs a cabo. E a Casa Branca fez um ótimo serviço ao diminuir o volume. Não têm havido artigos sobre o apoio de Bush ao contratar advogados (ouvi dizer por aí que Novak contratou um). E não têm-se ouvido histórias sobre preocupação ou paranóia da Casa Branca.

Alguns repórteres de Washington com quem falei recentemente têm perguntado, o que os democratas podem fazer para manter vivo o caso da declaração de Wilson? Este tipo de pergunta - comum na capital - é um reflexo do preconceito estrutural da imprensa. É fácil para os repórteres encobrir uma questão se os democratas e republicanos estão lutando sobre ela. Mas se não há conflito ou porcaria nenhuma de desenvolvimento no caso, os repórteres seguem em frente. Neste caso, a responsabilidade de manter a história oxigenada deve cair sobre a oposição, não sobre a mídia.

Os democratas estão se esforçando no caso Wilson. O Senador Chuck Schumer criticou a investigação do Departamento de Justiça - particularmenteas decisões dos investigadores de conceder à Casa Branca um adiamento de 12 horas antes de seus agentes devolverem os documentos requisitados. E em 24 de outubro, outros senadores democratas tiveram uma audiência a portas fechadas numa sala do Capitólio. Nesta ocasião, o Senador Tom Daschle, líder da minoria, e alguns de seus colegas democratas, perguntaram a três antigos oficiais da CIA sobre os negócios de Wilson. Foi uma mesa redonda armada para que parecesse uma audiência. "Testemunhando" antes dos senadores estava Vincent Cannistraro, uma vez oficial sênior do Centro de Antiterrorismo da CIA; Larry Johnson, analista da CIA que passou por treinamento com Valerie Wilson ; e James Marcinkowski, agente clandestino da CIA.

As observações dos conferencistas foram apaixonadas e afiadas. Cada um criticou abertamente, responsabilizando Bush e seus aliados, que teriam minimizado as declarações de Wilson e politizado a questão, atacando-o. Os três puseram abaixo muito do rodamoinho que vinha dos círculos republicanos. "Qualquer um que tentasse retratar essa ação como meramente negligente, deveria também estar preparado para explicar como alguém tão completamente inapto para divulgar estas informações por acidente tornar-se-ia, algum dia, oficial sênior de qualquer organização, largando sozinha uma organização que corre o país". Marcinkowski observou em sua declaração preparada: " O que me enoja

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