Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Bush irrita palestinos ao defender assentamentos na Cisjordânia

Os palestinos demonstraram na segunda-feira raiva e frustração com a afirmação feita pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que Israel poderia manter parte dos seus assentamentos na Cisjordânia dentro de um futuro acordo de paz. (Leia Mais)

Segunda, 11 de Abril de 2005 às 16:30, por: CdB

Os palestinos demonstraram na segunda-feira raiva e frustração com a afirmação feita pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que Israel poderia manter parte dos seus assentamentos na Cisjordânia dentro de um futuro acordo de paz.

- Esta posição norte-americana dá uma mensagem inequívoca aos palestinos de que os Estados Unidos ainda se vêem como parceiros de Israel e dos interesses israelenses, ao invés de serem mediadores honestos - disse o ministro Hassan Abu Libdeh à Reuters.

A declaração de Bush foi feita a jornalistas depois de uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, no rancho do presidente, no Texas.

"Embora os Estados Unidos não prejulguem o resultado das negociações para o status final, estas mudanças no terreno, inclusive a existência de importantes centros populacionais israelenses, devem ser levadas em conta", afirmou.

Bush já havia feito uma declaração similar a Sharon no ano passado, modificando uma posição oficial dos EUA que durava décadas. Isso irritou os palestinos, que viram na frase uma predisposição a manter grande parte da Cisjordânia com Israel.

"Não deve ser dada legitimidade a qualquer atividade colonizadora ou a qualquer assentamento já existente", disse o porta-voz da Autoridade Palestina, Nabil Abu Rdainah, após tomar conhecimento da frase dita na segunda-feira por Bush.

Mushir Al Masri, porta-voz do grupo militante Hamas, disse que "mais uma vez os Estados Unidos lidaram com a causa palestina com injustiça, e como sempre demonstraram total inclinação pelo inimigo israelense".

Mas vários líderes palestinos evitaram fazer críticas diretas a Bush, que deve se reunir com o presidente Mahmoud Abbas nos EUA nas próximas semanas.

Algumas autoridades palestinas elogiaram o pedido de Bush para que Israel cumpra os compromissos previstos no plano de paz norte-americano para a região.

Sharon entrou em atrito com Bush por causa da sua intenção de ligar o maior assentamento judaico da Cisjordânia a Jerusalém. O projeto ainda não saiu das pranchetas, mas já provocou indignação entre os palestinos, que querem essa área como parte de seu futuro Estado.

"Espero que o primeiro-ministro Sharon ouça o apelo do presidente Bush para parar todas as atividades colonizadoras, porque acredito que isso é a chave de tudo", disse o negociador palestino Saeb Erekat à Reuters.

Ele afirmou que a existência do Estado palestino estará ameaçada se Israel continuar ampliando os assentamentos e construindo uma barreira dentro da Cisjordânia. Israel diz que a barreira serve para impedir a entrada de militantes suicidas em seu território. Os palestinos dizem que ela anexa parte da Cisjordânia.

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