Os palestinos demonstraram na segunda-feira raiva e frustração com a afirmação feita pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de que Israel poderia manter parte dos seus assentamentos na Cisjordânia dentro de um futuro acordo de paz.
- Esta posição norte-americana dá uma mensagem inequívoca aos palestinos de que os Estados Unidos ainda se vêem como parceiros de Israel e dos interesses israelenses, ao invés de serem mediadores honestos - disse o ministro Hassan Abu Libdeh à Reuters.
A declaração de Bush foi feita a jornalistas depois de uma reunião com o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, no rancho do presidente, no Texas.
"Embora os Estados Unidos não prejulguem o resultado das negociações para o status final, estas mudanças no terreno, inclusive a existência de importantes centros populacionais israelenses, devem ser levadas em conta", afirmou.
Bush já havia feito uma declaração similar a Sharon no ano passado, modificando uma posição oficial dos EUA que durava décadas. Isso irritou os palestinos, que viram na frase uma predisposição a manter grande parte da Cisjordânia com Israel.
"Não deve ser dada legitimidade a qualquer atividade colonizadora ou a qualquer assentamento já existente", disse o porta-voz da Autoridade Palestina, Nabil Abu Rdainah, após tomar conhecimento da frase dita na segunda-feira por Bush.
Mushir Al Masri, porta-voz do grupo militante Hamas, disse que "mais uma vez os Estados Unidos lidaram com a causa palestina com injustiça, e como sempre demonstraram total inclinação pelo inimigo israelense".
Mas vários líderes palestinos evitaram fazer críticas diretas a Bush, que deve se reunir com o presidente Mahmoud Abbas nos EUA nas próximas semanas.
Algumas autoridades palestinas elogiaram o pedido de Bush para que Israel cumpra os compromissos previstos no plano de paz norte-americano para a região.
Sharon entrou em atrito com Bush por causa da sua intenção de ligar o maior assentamento judaico da Cisjordânia a Jerusalém. O projeto ainda não saiu das pranchetas, mas já provocou indignação entre os palestinos, que querem essa área como parte de seu futuro Estado.
"Espero que o primeiro-ministro Sharon ouça o apelo do presidente Bush para parar todas as atividades colonizadoras, porque acredito que isso é a chave de tudo", disse o negociador palestino Saeb Erekat à Reuters.
Ele afirmou que a existência do Estado palestino estará ameaçada se Israel continuar ampliando os assentamentos e construindo uma barreira dentro da Cisjordânia. Israel diz que a barreira serve para impedir a entrada de militantes suicidas em seu território. Os palestinos dizem que ela anexa parte da Cisjordânia.