O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, indicou na segunda-feira John Negroponte, hoje o principal diplomata norte-americano na ONU, para assumir o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Iraque. Tanto Negroponte quanto Bush admitiram que se trata de uma tarefa complicadíssima.
Negroponte, de 64 anos, vai assumir o cargo depois de 30 de junho, quando os EUA devolvem a soberania do país aos iraquianos. A indicação ainda depende de sabatina no Senado.
``John Negroponte é um homem de enorme experiência e habilidade. Por isso estou confortável em pedir a ele que sirva nesta tarefa tão difícil'', disse Bush a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
Com o diplomata a seu lado, Bush afirmou que ``não há dúvida em minha mente de que ele possa lidar com as dificuldades, não há dúvida de que ele fará um trabalho muito bom e que o Iraque será livre, democrático e pacífico.''
Apesar das preocupações entre republicanos e democratas com a violência e os problemas da transição no Iraque, parlamentares previram que Negroponte será aprovado na sabatina do Senado. O presidente da comissão responsável por isso, Richard Lugar, disse que a votação deve acontecer ``no futuro próximo''.
Ao escolher Negroponte para a embaixada, Bush frisou a crescente importância que ele dedica à Organização das Nações Unidas, inicialmente isolada pelos EUA na questão do Iraque. Bush agora pretende dar à entidade um papel importante na transição, refletindo pressões domésticas e externas para diminuir o número de baixas e demonstrar avanços neste ano eleitoral.
``A colaboração com a comunidade internacional, especialmente com a ONU, será uma parte muito importante desta empreitada'', disse Negroponte.
Uma fonte do governo disse que o diplomata deve viajar ao Iraque para ``estar pronto'' antes da transferência do poder, em 30 de junho. Não há data marcada para sua viagem, porém.
Como diplomata de carreira, ele já serviu no Vietnã, em Honduras, no México e nas Filipinas. Negroponte trabalhava para a McGraw-Hill antes de ser atraído de volta para o serviço público, como embaixador na ONU, em 2001.
Quando ele foi embaixador em Honduras, entre 1981 e 85, o governo Reagan usava o país como base para derrubar o regime sandinista na vizinha Nicarágua.
Sua confirmação como embaixador na ONU foi retardada em seis meses, em 2001, enquanto ele se defendia das acusações de ter acobertado abusos aos direitos humanos por parte do governo hondurenho, na época apoiado pelos EUA.
``Honduras parece uma história distante, e o fato de que alguém assuma esse posto de embaixador em Bagdá é incrível'', disse um assessor parlamentar democrata.
Negroponte ajudou a redigir a resolução 1441, pela qual o Conselho de Segurança dava ao Iraque uma última chance de se desarmar antes da guerra. Embora o texto tenha sido aprovado unanimemente, o governo Bush não conseguiu emplacar uma segunda resolução, que dava aval da ONU à invasão.
Os EUA gostariam que a ONU tivesse um papel maior no Iraque após a transição, e a passagem de Negroponte pela entidade é considerado um fator que pesou a favor de sua nomeação.
Bush fez alusão a isso nos seus comentários. Durante o trabalho da ONU, afirmou, Negroponte fez ``um trabalho realmente bom falando em nome dos EUA ao mundo a respeito de nossas intenções de difundir a liberdade e a paz''.
Os Estados Unidos atualmente governam o Iraque por meio da Autoridade Provisória da Coalizão. Mesmo depois da transição, Washington manterá enorme influência no país por meio da sua embaixada, que deve ter 3.000 empregados -- será a maior representação diplomática norte-americana no mundo.