Os Estados Unidos vão oferecer mais recursos para ajudar o continente africano, desde que se convençam da seriedade dos governos da região, disse o presidente George W. Bush em entrevista publicada na quinta-feira.
Falando a uma semana da cúpula do G8 (grupo dos sete países industrializados mais ricos do mundo e a Rússia), cuja agenda prioriza o desenvolvimento da África e as alterações climáticas, Bush disse que seu governo tem "um grande histórico" na África e está disposto a fazer ainda mais pela região.
- Assumiremos mais alguns compromissos -" disse Bush ao jornal londrino The Times, sem especificar as promessas.
Mas ele também deixou claro que os EUA só querem ajudar governos que convençam Washington da sua capacidade de gastar o dinheiro adequadamente.
- Os norte-americanos querem lidar com a pobreza e a fome. As doenças. Mas não querem que seu dinheiro seja gasto com governos que não concentram sua atenção em saúde, educação, mercados e mecanismos anticorrupção - disse Bush.
Em um sinal de que qualquer acordo sobre a África ou o clima está muito distante, representantes dos países do G8 vão se reunir nos próximos dois dias em Londres para tentar forjar o melhor compromisso possível, segundo fontes britânicas.
Elas dizem que é raro que negociações assim acirradas aconteçam tão às vésperas da cúpula, mas afirmam que o primeiro-ministro Tony Blair, anfitrião da reunião, quer o pacote mais ambicioso possível.
Bush disse que não poderia ser generoso sem ter garantias de que o dinheiro será bem gasto.
-´Não só não seria cuidar bem do nosso dinheiro, como não seria eficaz na ajuda às pessoas - afirmou.
Ativistas querem que o G8 dobre a ajuda financeira à África, perdoe a dívida de países africanos e elimine as barreiras comerciais que hoje prejudicam o acesso de produtos africanos aos países desenvolvidos. Blair dá aval a esses itens.
Sobre o clima, Bush não respondeu diretamente se considera que o mundo está ficando mais quente e se a atividade humana é responsável por isso. Repetindo a política oficial dos EUA, ele afirmou que são necessárias mais pesquisas a respeito.
Essa postura contraria a de outros países do G8, para os quais o mundo já está ficando mais quente e isso se deve parcialmente a fatores como indústrias e viagens aéreas.
- Acredito que os gases do efeito estufa estejam criando um problema, um problema de longo prazo com o qual teremos de lidar. E estamos. O passo um para lidar com isso é entender completamente a natureza do problema, para que as soluções façam sentido - diss ele.