O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse na quinta-feira desejar saber se o presidente eleito do Irã, Mohamoud Ahmadinejad, participou do cerco à embaixada norte-americana em 1979 como afirmaram alguns reféns.
Vários norte-americanos feitos reféns no episódio disseram ter reconhecido o prefeito de Teerã como sendo o líder da invasão. Ahmadinejad foi eleito presidente do Irã na sexta-feira passada com uma grande margem de votos.
No entanto, duas pessoas que participaram do episódio afirmaram que o político ultra-conservador não esteve envolvido.
"Não tenho nenhuma informação a respeito", disse Bush durante uma entrevista concedida antes da cúpula do G8 a ser realizada na Escócia.
"Mas, obviamente, o envolvimento dele levanta muitas questões. E, consciente do quanto as pessoas se esforçam para achar respostas a perguntas, tenho confiança de que essas respostas serão encontradas."
Bush também enviou um aviso para Ahmadinejad, 48, dizendo que os EUA e a Europa divulgariam uma "mensagem forte" a respeito das preocupações que cercam o programa nuclear do Irã.
Na crise dos reféns, que começou em 1979 e que terminou apenas no ano seguinte, o governo norte-americano rompeu os laços diplomáticos com o país islâmico -- 52 cidadãos dos EUA foram mantidos reféns por 444 dias na tomada da embaixada.
Bush acusou o Irã de ser parte de um "eixo do mal" porque o país, supostamente, tentaria desenvolver armas nucleares e daria apoio a grupos terroristas. O governo iraniano rechaça as acusações.
Em entrevistas concedidas para redes de TV norte-americanas, o capitão da reserva Donald Sharer e Bill Daugherty afirmaram estar convencidos de que Ahmadinejad era um dos iranianos que os mantiveram reféns.
"Ele não foi muito agradável na época. Ele nos chamou de 'porcos' e de 'cães'. Ele é muito linha-dura. Ele é uma pessoa com a qual não conseguiremos nos dar bem", afirmou Sharer à rede de TV ABC.
Daugherty disse não ter dúvidas de que Ahmedinejad estava entre os invasores da embaixada.
No Irã, Abbas Abdi, que participou do planejamento da ação de 1979, afirmou que o presidente eleito "não estava entre as pessoas que ocuparam a embaixada norte-americana depois da revolução (islâmica)".
Mohsen Mirdamadi, outro dos líderes da invasão, disse: "Rechaço tais relatos. Ahmedinejad não era membro do grupo de estudantes radicais que assumiu o controle da embaixada".