O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, embarcou nesta segunda-feira para a Europa, num momento de impopularidade doméstica por causa da guerra do Iraque e de tensões no exterior por causa do aquecimento global e do escudo antimísseis.
Montada em torno da cúpula do Grupo dos Oito na Alemanha, onde a anfitriã, chanceler Angela Merkel, pretende conseguir um acordo contra a mudança climática, a viagem de Bush inclui também escalas na Europa Oriental.
O avião presidencial Air Force One decolou com a comitiva de Bush da Base Aérea Andrews, nos arredores de Washington, pouco depois das 7h (8h em Brasília) desta segunda-feira.
Antecipando seus objetivos nesta semana, Bush pediu ao Congresso que aumente de US$ 15 para US$ 30 bilhões nos próximos cinco anos as verbas para o combate à Aids, especialmente na África, e ainda propôs uma nova estratégia global contra o aquecimento. Além disso, impôs sanções ao Sudão por causa do genocídio em marcha na região de Darfur.
Os governos europeus receberam com frieza o plano de Bush para reunir os principais poluidores mundiais até o final do ano, a fim de explorar formas de limitar as emissões de gases do efeito estufa e aceitar uma meta de longo prazo até o final de 2008.
Alguns viram nisso uma derrota para Merkel, que quer que o G8 concorde agora sobre a necessidade de reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 50% até 2050.
A viagem de uma semana, com escalas na República Checa, Polônia, Itália, Albânia e Bulgária, tem várias coisas inéditas, com os encontros com o novo presidente da França, Nicolas Sarkozy, na Alemanha, e com o papa Bento XVI no Vaticano.
Um dos encontros mais esperados durante a cúpula será com o presidente russo, Vladimir Putin, cujas críticas cada vez mais duras aos EUA criam uma preocupação sobre o estado das relações bilaterais.
Putin é radicalmente contra a criação de um escudo antimísseis dos EUA com componentes na República Checa e na Polônia, pois vê nisso uma ameaça à Rússia. Bush propôs que Moscou participe desse sistema, oficialmente voltado contra a ameaça de mísseis lançados por "Estados párias", tais quais Coréia do Norte e Irã.
Aparentemente tentando esvaziar a tensão, Bush convidou Putin para passar dois dias em julho na propriedade da sua família no Maine.
Em Praga, Bush vai conversar sobre a necessidade de promover a democracia, durante uma conferência organizada por ativistas, entre os quais o ex-presidente checo Vaclav Havel, um dos líderes da "Revolução de Veludo" que acabou com o comunismo na então Checoslováquia.
Bush agradecerá à Polônia pela cooperação no sistema antimísseis, por promover a liberdade em Belarus e por ajudar jovens democracias, como a Ucrânia, segundo um assessor.
Sua visita à Albânia, a primeira de um presidente dos EUA em exercício, ocorre num momento de impasse entre Washington e Moscou por causa dos planos de independência para a província sérvia de Kosovo, onde há grande população albanesa.
Ao contrário da Rússia, que tem fortes ligações com a Sérvia, os EUA apóiam o plano da ONU para conceder independência a Kosovo.