Apesar de suas fortes e declaradas diferenças sobre a guerra e ocupação do Iraque, a Casa Branca e o candidato democrata às eleições de novembro, John Kerry, demonstram seu apoio à manutenção da presença militar nesse país. O atentado com um carro-bomba contra um hotel de Bagdá, que causou pelo menos 27 mortos, é mais um sinal da escalada da violência no Iraque, às vésperas do primeiro aniversário do início da guerra nesse país.
Por causa da data, tanto o presidente George W. Bush e seu Governo como Kerry estão intensificando suas aparições para justificar suas posições divergentes sobre esse conflito e a ocupação do país.
Além disso, outros assuntos ganharam força no debate, como os atentados da semana passada em Madri, com 201 mortos até agora, e o resultado das eleições espanholas, devido ao compromisso do vencedor dessas eleições, o líder socialista José Luis Rodríguez Zapatero, de retirar as tropas espanholas do Iraque. Kerry apelou hoje a Zapatero para que reconsidere sua postura, porque, segundo ele, os eventos da Espanha não podem ser a razão para deixar o Iraque.
"Peço ao presidente eleito que reconsidere sua decisão e que envie uma mensagem que os terroristas não podem vencer com seus atos de terror", afirmou Kerry em um discurso sobre política externa na Universidade George Washington.
Na Casa Branca, o porta-voz Scott McClellan reiterou o compromisso do Governo de Washington de se manter no país até que "tenha sido cumprido o trabalho" em benefício do povo iraquiano. Conforme McClellan, "a democracia está avançando no Iraque" e "não há uma volta atrás", apesar de atentados como o de hoje.
O vice-presidente, Dick Cheney, assegurou em um discurso que "nossa determinação é inflexível", apesar de atentados como os de Bagdá ou Madri.
No Departamento de Estado, o porta-voz Adam Ereli declarou hoje, depois de ser perguntado pela declaração de Zapatero que a ocupação do Iraque "está sendo um fiasco", que "há diferentes pontos de vista sobre qual é o rumo adequado para Iraque". No entanto, afirmou que EUA e Espanha são "sócios na guerra contra o terror. Compartilhamos de um objetivo comum e estamos unidos para trabalhar juntos e conseguir esse objetivo".
Bush deve pronunciar um discurso especial na Casa Branca na próxima sexta-feira, afirmando que tanto o Iraque como o resto do mundo estão muito melhor sem Saddam Hussein. O presidente americano usa este argumento para demonstrar que, pelo menos, a saída do ditador foi algo positivo de seu Governo, já que as armas de destruição em massa utilizadas para justificar a invasão nunca apareceram e o Iraque continua com altos índices de violência e mortes de soldados.
Kerry, por outro lado, reiterou seus ataques a Bush por uma política externa -especialmente no Iraque- que afastou de Washington muitos de seus aliados tradicionais, principalmente muitos da Europa Ocidental.
"Muitos países que deveriam estar do nosso lado não estão", afirmou o senador, que acusou a Casa Branca por sua política "teimosa", que deixou os EUA "atolados no Iraque" sem muitos aliados tradicionais.
Além disso, a campanha de Kerry está tentando diminuir importância a umas declarações feitas por Howard Dean, ex-aspirante à candidatura democrata, que nesta terça-feira disse que Bush e sua política no Iraque eram os responsáveis pelos atentados terroristas de Madri.
Kerry, que se manteve discretamente calado em relação ao resultado das eleições na Espanha e à possível retirada das tropas espanholas do Iraque, se limitou hoje a dizer que "essa não é nossa postura".