O presidente dos EUA, George W. Bush, disse esperar que um enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Iraque apresente planos para um governo iraquiano e que uma nova resolução da ONU convença outros países a contribuírem com soldados.
Mas as autoridades da entidade mundial mantêm-se discretas e temem prometer mais do que podem oferecer. E os diplomatas mostram-se cautelosos sobre as expectativas exageradas a respeito de países cujas populações se opuseram à invasão do Iraque.
Nesta terça-feira à noite, em uma entrevista coletiva, Bush disse estar contando com o diplomata Lakhdar Brahimi, da ONU, para ``elaborar a natureza da entidade'' para a qual os EUA entregariam a soberania do Iraque no encerramento formal da ocupação, em 30 de junho.
Brahimi, que está Iraque desde 5 deste mês de abril, propôs nesta quarta-feira que um governo interino liderado por um primeiro-ministro, um presidente e dois vice-presidentes fosse encarregado de elaborar as eleições previstas para janeiro.
O Conselho de Governo do Iraque, órgão cujos membros foram escolhidos pelos EUA, seria desmantelado e talvez uma ''assembléia consultiva'' poderia ser criada depois de 1o. de julho para dar conselhos ao governo interino.
A composição de tal governo seria escolhida pela ONU, pelo Conselho de Governo, pelas forças ocupantes lideradas pelos EUA e por um grupo selecionado de juízes iraquianos, disseram autoridades da organização mundial.
Mas Brahimi mostrou-se cauteloso, dizendo que muitos dos planos teriam de ser endossados pelos iraquianos e que a segurança no país tinha de aumentar. O diplomata não fez promessas sobre uma maior participação da ONU no processo de reconstrução do Iraque.
Recentemente, o senador norte-americano John Kerry, candidato à Presidência pelo Partido Democrata (oposição), defendeu uma maior envolvimento da organização.