Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Bush e Blair foram iludidos por inteligência sobre Iraque

George W. Bush e Tony Blair, talvez inflamados por uma convicção religiosa de que estavam combatendo o mal, foram seduzidos por relatórios de inteligência infundados sobre as armas ilegais do Iraque, disse o ex-chefe de inspetores de armas da ONU Hans Blix. (Leia Mais)

Sábado, 06 de Março de 2004 às 11:09, por: CdB

George W. Bush e Tony Blair, talvez inflamados por uma convicção religiosa de que estavam combatendo o mal, foram seduzidos por relatórios de inteligência infundados sobre as armas ilegais do Iraque, disse o ex-chefe de inspetores de armas da ONU Hans Blix.

Em um livro, cujos trechos foram publicados pelo jornal britânico Guardian no sábado, Blix diz que nos preparativos para a guerra, o premiê britânico e enviados do presidente norte-americano pareciam convencidos pelas informações recebidas pelas agências de inteligência.

Blix, que disse ter sido submetido a fortes pressões dos Estados Unidos para aceitar tais informações como fatos, e ter sido difamado ao se recusar a isso, disse que ele, pessoalmente, acreditava que o presidente iraquiano Saddam Hussein ainda tinha armas ilegais escondidas, mas que dissera a Blair que precisava de provas concretas.

``Eu acrescentei que seria paradoxal e absurdo se 250 mil soldados invadissem o Iraque e encontrassem muito pouco'', escreveu Blix sobre seu encontro com o primeiro ministro britânico em 20 de fevereiro de 2003.

``Blair respondeu que eram claras as informações de que Saddam havia reconstituído seu programa de armas de destruição em massa. Blair claramente confiava nas informações e estava convencido.''

Blix escreveu que as alegações das agências de informação ocidentais compartilhadas com seus inspetores sobre, por exemplo, laboratórios móveis para fazer agentes biológicos, eram embaraçosas e acrescentou: ``Eu não tenho conhecimento de nenhuma outra informação 'compartilhada' conosco que tenha sido confirmada por provas críveis.''

``Talvez Blair e Bush, ambos homens religiosos, tenham ganhado força em sua determinação política pelo sentimento de que estavam combatendo o mal, não apenas a proliferação (de armas)'', escreveu.

No novo livro ``Disarming Iraq -- The search for weapons of mass destruction'' (Desarmando o Iraque -- A busca por armas de destruição em massa), Blix diz que os serviços de inteligência franceses também estavam convencidos de que armas de destruição em massa continuavam no Iraque, mas que o presidente Jacques Chirac --que era tão contrário à guerra quanto Bush e Blair eram a favor dela-- era mais cético.

``Os serviços de inteligência algumas vezes 'intoxicam' uns aos outros', disse Blix, citando Chirac.

Quase um ano depois da invasão e da derrubada de Saddam, as forças lideradas pelos EUA não encontraram nenhuma arma ilegal no Iraque. Blair e Bush viram seus índices de aprovação caírem por causa do impopular conflito e do sangrento pós-guerra.

Na sexta-feira, Blair levantou a possibilidade de uma reconsideração da lei internacional e das Nações Unidas para legalizar ataques preventivos por forças estrangeiras contra os chamados Estados mentirosos.

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