Em meio ao total ceticismo de ambas as partes, o presidente norte-americano, George W. Bush, disse na quinta-feira, a palestinos e israelenses acreditar que será possível assinar dentro de um ano um tratado que crie um Estado para eles e sele a paz com Israel. Bush, no entanto, desafiou os céticos e disse em entrevista coletiva que a criação do Estado "vai acontecer, haverá um tratado de paz assinado antes de eu deixar o cargo (janeiro de 2009)". Ele falou durante a primeira visita de um presidente dos Estados Unidos a Ramallah, na Cisjordânia.
As negociações de paz foram formalmente retomadas em novembro, durante uma conferência em Annapolis, nos EUA. Mas autoridades ressaltam que a assinatura de um tratado não levaria imediatamente à criação do Estado palestino, pois isso exigiria algumas formalidades, e além disso Israel já anunciou que só vai encerrar a ocupação da Cisjordânia quando tiver certeza de que seu território não está vulnerável a ataques.
Bush disse ainda que não há certeza de que o isolamento da Faixa de Gaza, parte importante do eventual Estado palestino, possa ser resolvido neste ano. O grupo islâmico Hamas controla esse território desde junho, quando expulsou as forças do presidente Mahmoud Abbas, da facção laica Fatah. A hostilidade do Hamas às negociações é um importante empecilho no processo de paz.
Washington, segundo Bush, está disposto a dar apoio econômico e político a Israel e a Abbas, mas ambas as partes precisam "se unir para fazer escolhas difíceis".
Falando na Muqata, a sede presidencial palestina onde o falecido Yasser Arafat esteve sitiado por forças israelenses, há poucos anos, Abbas elogiou Bush por ser supostamente o primeiro presidente norte-americano a dar apoio pleno ao Estado palestino.
Críticos dizem, porém, que Bush passou os sete primeiros anos de seu governo sem se envolver diretamente com essa questão, que desafiou todos os seus antecessores nos últimos 60 anos. Muitos duvidam que seja possível resolver isso agora, quando Bush tenta deixar um legado positivo no Oriente Médio, após cinco anos de guerra no Iraque.
Na quarta-feira, o presidente norte-americano havia se reunido em Jerusalém com primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, a quem disse estar "muito esperançoso" com o processo de paz. Ele pediu a Olmert empenho em destruir postos avançados construídos ilegalmente por colonos judeus na Cisjordânia