Rio de Janeiro, 15 de Setembro de 2026

Bush diz que eleições no Iraque serão um golpe contra insurgentes

Terça, 07 de Dezembro de 2004 às 18:08, por: CdB

O presidente dos EUA, George W. Bush, garantiu nesta terça-feira que a realização de eleições no Iraque na data prevista será um duro golpe contra os insurgentes, mas um relatório da CIA advertiu que a situação nesse país está piorando.

Bush fez hoje um discurso ante soldados da Infantaria da Marinha na base de Camp Pendleton (Califórnia), que coincidiu com a baixa em Bagdá do milésimo soldado americano morto em combate no Iraque desde o começo da guerra, há 21 meses.

Em sua intervenção, feita num momento de agravamento da violência no país árabe, onde nos últimos dias mais de setenta pessoas morreram, o presidente assegurou que "os terroristas farão tudo o que puderem para atrasar e impedir a realização de eleições livres no Iraque, mas fracassarão".

"Quando os iraquianos elegerem seus líderes em eleições livres, ficará destruído o mito de que os terroristas lutam contra uma ocupação estrangeira e ficará claro que na verdade combatem a vontade dos iraquianos", afirmou Bush.

O presidente americano lembrou hoje que, como parte da estratégia para estabilizar o país e oferecer segurança durante o período eleitoral que terminará com as eleições, previstas para 30 de janeiro, os EUA aumentarão em 12 mil soldados sua presença militar no Iraque.

Na última quarta-feira, o Pentágono anunciou o envio destes reforços, que aumentarão para 150 mil os soldados americanos desdobrados no Iraque, o maior número desde o começo da guerra, em 20 de março de 2003.

Apesar da violência, em seu discurso o presidente mostrou-se otimista com a situação no Iraque e insistiu aos soldados que, com ofensivas em Faluja, Babel e Mossul, os terroristas estão sendo capturados e seus planos interrompidos.

Mas enquanto o presidente mostra otimismo em seus prognósticos, não se pode dizer o mesmo da CIA (inteligência americana), que advertiu que a situação no Iraque está se deteriorando e pode não se recuperar numa longa temporada.

Segundo informou hoje o jornal "The New York Times", as conclusões aparecem em uma mensagem do chefe de estação da CIA no Iraque, que completou seu ano de destino ali, e em uma série de relatórios elaborados por outro agente que visitou recentemente o país árabe.

Concretamente, a mensagem do chefe da estação, enviada depois da tomada de Faluja no mês passado, é o documento mais duro, segundo os funcionários entrevistados pelo jornal.

O chefe da missão da CIA advertiu sobre a probabilidade de mais violência e outros confrontos entre facções, a menos que o governo iraquiano imponha sua autoridade e possa reconstruir a economia.

Em conjunto, os relatórios são "muito mais pessimistas que a imagem pública passada pela administração Bush antes das eleições previstas no Iraque", assegurou o "The New York Times".

Um relatório conhecido como "Previsão Nacional de Inteligência", elaborado conjuntamente por diferentes serviços secretos dos EUA e apresentado a Bush em agosto passado, previa também um futuro difícil para o país árabe ao longo de 2005.

Esse documento, que continua classificado como secreto, apresentava aparentemente três possibilidades distintas, que no melhor dos casos previa uma estabilidade frágil e no pior, uma série de fatos que levariam a uma guerra civil.

Nos últimos dias, o presidente realizou intensas negociações para tentar garantir o sucesso das eleições no Iraque.

Ele se reuniu na segunda-feira na Casa Branca com o presidente iraquiano, Ghazi al-Yawar, e o rei Abdullah II da Jordânia, um dos países fronteiriços com o Iraque.

Mas as minorias políticas no país árabe ameaçam boicotar esses eleições.

A minoria sunita, que representa 20% da população e deteve o poder durante o mandato do derrocado presidente Saddam Hussein, teme que as eleições dêem um controle excessivo do país à maioria xiita, que representa em torno de 70% da população.

Com isso, Washington teme que o boicote sunita possa reduzir a legitimidade das eleições e do governo que for eleito nelas.

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