Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Bush desafia ONU a fazer com que Iraque cumpra resolução

Sexta, 07 de Fevereiro de 2003 às 17:43, por: CdB

Um presidente Bush com um tom austero fora do usual desafiou a Organização das Nações Unidas, na sexta-feira, a assumir suas obrigações e ver se o Iraque está desarmado. Ao mesmo tempo, ele voltou a enfatizar seu compromisso com uma solução diplomática para as tensões com a Coréia do Norte. "O Conselho de Segurança passou, de forma unânime, a resolução 1441, que dizia que Saddam Hussein deveria se desarmar completamente", disse Bush em uma breve conversa com repórteres do lado de fora do edifício do Tesouro. Mas o ditador iraquiano não se desarmou, como o Secretário de Estado dos EUA, Colin L. Powell ressaltou em sua aparição no Conselho de Segurança, na quarta-feira, continuou o presidente. "E agora os membros do Conselho de Segurança podem decidir se uma resolução terá ou não qualquer força, ou se significa alguma coisa", disse Bush. O presidente desafiou a Organização das Nações Unidas sobre o Iraque anteriormente, mas na sexta-feira ele usou termos mais duros. "Esse é um momento decisivo", disse Bush. "Se o Conselho de Segurança permitir que um ditador minta e engane, o Conselho de Segurança ficará enfraquecido". Bush afirmou que está confiante que, no fim, os membros do Conselho de Segurança entenderão que a resolução 1441 "devem ser mantidas por completo". Em um contraste marcante, Bush reiterou sua previsão de que tensões com a Coréia do Norte, ocasionadas pelo reinício de seu programa nuclear e incentivadas pela linguagem belicosa do governo de Pyongyang, seriam resolvidas de forma pacífica. "Todas as opções estão sobre a mesa", disse Bush, usando uma frase que a Casa Branca e Powell disseram que inclui diplomacia, sanções e até força militar em última instância. "Mas eu acredito que podemos resolver isso diplomaticamente". O presidente disse que havia falado novamente, na sexta-feira, com o presidente Jiang Zemin, da China, lembrando ele "que temos uma responsabilidade conjunta", nominalmente uma península da Coréia livre de armas nucleares. O líder chinês visitou o rancho de Bush no Texas no ano passado, e os dois discutiram a situação coreana. Eles também falaram por telefone nas últimas semanas. A China é um aliado de longa data da Coréia do Norte, mas opõe-se fortemente ao desenvolvimento norte-coreano de armas nucleares e mísseis de longo alcance, que teme que poderia criar uma corrida armamentista ou um conflito no leste da Ásia. A China se ofereceu para hospedar as conversas diretas entre os EUA e a Coréia do Norte. O governo de Pyongyang disse que gostaria dessas conversas. O governo Bush quer conversas multinacionais e disse que, apesar de continuar a tentar o diálogo com a Coréia do Norte, não será "chantageado" para ter negociações diretas. Bush afirmou que continuará a usar meios diplomáticos para convencer Kim Jong II, o líder norte-coreano, de que "ele ficará isolado, no futuro, se continuar a desenvolver um programa nuclear". Bush falou em um cenário geralmente cheio de neve no centro de Washington, antes da cerimônia de posse de John Snow como secretário do Tesouro. Quanto à possibilidade de guerra com o Iraque, o presidente disse que a escolha é de Saddam Hussein. "Ele tratou as exigências do mundo como piada até agora", disse Bush. "Mas a escolha é dele. Ele é a pessoa que decide sobre guerra ou paz". Bush disse que não tinha quase fé nenhuma no ditador iraquiano. "Ele é um mestre da enganação", disse o presidente. "Ele provavelmente tentará mentir em vez de cooperar, ou enganar, ou dar alguma afirmação falsa". Em seu caminho para o prédio do Tesouro, Bush tinha um último comentário. "Eu disse que, se Saddam não se desarmar, lideraremos uma coalizão para desarmá-lo", afirmou o presidente. "E falo sério".

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