Rio de Janeiro, 16 de Março de 2026

Bush debate com Tony Blair os rumos da guerra no Iraque

Presidente norte-americano, George W. Bush e seu aliado Tony Blair, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, conversaram nesta quinta-feira sobre os rumos do Iraque, um dia depois de um relatório bipartidário dos EUA ter afirmado que a atual estratégia militar e diplomática do país não está funcionando. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Dezembro de 2006 às 11:35, por: CdB

Presidente norte-americano, George W. Bush e seu aliado Tony Blair, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, conversaram nesta quinta-feira sobre os rumos do Iraque, um dia depois de um relatório bipartidário dos EUA ter afirmado que a atual estratégia militar e diplomática do país não está funcionando. Blair tem sido criticado pelos britânicos por seu apoio incondicional a Washington. Nos EUA, eleitores repudiaram as políticas de Bush nas eleições de 7 de novembro, em que o Partido Republicano perdeu o controle do Congresso norte-americano.

A visita do líder britânico à Casa Branca acontece após o chamado Grupo de Estudo do Iraque ter aconselhado Bush a começar uma retirada de forças de combate dos EUA do Iraque e a lançar mais pressão diplomática para incluir os vizinhos do Iraque na resolução, incluindo Irã e Síria. Assim como a comissão, Blair deve pedir a Bush para se envolver em uma estratégia de paz mais ampla no Oriente Médio a fim de ajudar a resolver a crise iraquiana.

Bush e Blair também se encontram um dia depois de o Senado norte-americano ter confirmado Robert Gates como o novo secretário da Defesa, no lugar de Donald Rumsfeld. Após conversas com Bush na Casa Branca e uma entrevista coletiva conjunta, Blair deve se encontrar com o presidente da Câmara, Dennis Hastert, e com a deputada Nancy Pelosi, que ocupará o cargo a partir de janeiro.

Reação

A imprensa norte-americana dedicou, nesta quinta-feira, suas manchetes ao informe do Grupo de Estudos sobre o Iraque, mas questiona se o presidente George W. Bush terá condições de levar em consideração as recomendações do relatório para modificar a estratégia na guerra. O informe de uma comissão independente dirigida pelo ex-secretário de Estado James Baker, divulgado na quarta-feira, defende uma mudança de estratégia de Washington no Iraque, por meio da retirada de tropas no mais tardar em 2008, e da retomada do diálogo direto com Irã e Síria.

Trechos do documento vazaram para a imprensa há alguns dias. A revista Newsweek já havia estampado na capa: "Bush vai ouvir?".

O informe poderia ter como título 'O manifesto realista', segundo o jornal Washington Post. "É um repúdio à diplomacia e à proposta militar do governo de Bush para o Iraque e toda a região", disse o diário.

O New York Times descreve o texto bipartidário, também coordenado pelo congressista democrata Lee Hamilton, como um "plano de ação para o Iraque" e pergunta na primeira página: "Funcionará na Casa Branca?". "O informe faz um veemente pedido ao consenso entre ambos os partidos na política externa mais dividida desta geração. Que Bush leve em consideração as recomendações do grupo de estudo significaria dar marcha a ré no Iraque e em todo o Oriente Médio", destaca o NYT.

Na primeira página do Wall Street Journal se lia: "O informe do Iraque acrescenta pressão a Bush para um plano de retirada". Nas páginas internas, a publicação afirma que o documento é uma aguda crítica à política de governo de Bush.

O Los Angeles Times aponta que o relatório tem um "objetivo pouco comum: persuadir o presidente Bush a mudar de opinião sobre agüentar até o final no Iraque".

O USA Today destaca que os autores do informe saíram da Casa Branca "sem garantias de que ele (Bush) realmente levaria em consideração suas recomendações". "O que Bush fará agora?", pergunta. Um artigo do jornal é ainda mais direto: "A pergunta é se o presidente Bush escutará".

O informe indica que se a atual situação, considerada grave e que se deteriora, no Iraque persistir, o governo pode entrar em colapso e isto provocar uma "catástrofe humanitária", que resultaria na intervenção de países vizinhos e que poderia ser usada pela Al-Qaeda como propaganda vitoriosa.

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