Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

Bush dá US$ 20 mi para palestinos pagarem contas a Israel

Quarta, 08 de Dezembro de 2004 às 17:08, por: CdB

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aprovou na quarta-feira um pacote de 20 milhões de dólares em ajuda direta à Autoridade Palestina, para ajudá-la a pagar suas contas de eletricidade para Israel. A decisão foi tomada depois que importantes parlamentares se opuseram ao uso do dinheiro para as eleições presidenciais palestinas de janeiro e para o pagamento de salários.

O pacote encerra um longo período de restrições à ajuda direta dos EUA à Autoridade Palestina e é parte do que a Casa Branca considera uma nova ofensiva de paz, depois da morte do veterano líder Yasser Arafat.

"Estamos mandando uma mensagem com esta assistência financeira de que queremos ajudá-los conforme eles avançam para eleições e conforme avançam para criar instituições para que surja um Estado viável", disse o porta-voz de Bush, Scott McClellan.

Parlamentares norte-americanos ligados a Israel e ao governo foram contra a proposta do Departamento de Estado, que queria destinar a ajuda à organização das eleições de 9 de janeiro e ao pagamento de salários de funcionários públicos palestinos. Mas, segundo autoridades, ao dar dinheiro para o pagamento de eletricidade o governo Bush está indiretamente liberando recursos palestinos para as eleições.

Funcionários palestinos em Washington não foram localizados para comentar o pacote.

McClellan acrescentou que os EUA vão encorajar doações de outros países que queiram colaborar com a organização das eleições palestinas. Washington espera que seja eleito um líder disposto a negociar a paz. Durante anos, Bush manteve Arafat isolado das negociações, acusando-o de incentivar a violência, o que ele negou até morrer, no mês passado.

Os quatro anos de rebelião contra Israel estão deixando as finanças palestinas numa grave crise, que, segundo o governo dos EUA, impede a realização de reformas necessárias.

A verba norte-americana será supervisionada pelo ministro palestino das Finanças, Salam Fayyad, ex-funcionário do FMI que goza do apoio dos EUA.

"Temos grande confiança de que esses fundos serão destinados para o seu propósito", disse McClellan.

Fontes do governo disseram que Bush teve de usar poderes especiais para driblar as restrições à ajuda aos palestinos. Há cerca de dez anos, esse tipo de contribuição é feita por intermédio de grupos internacionais.

Já Israel recebe cerca de 3 bilhões de dólares por ano em ajuda direta dos EUA. Os 20 milhões de dólares liberados para os palestinos se somam a um pacote de 75 milhões de dólares em ajuda indireta, já aprovado pelo Congresso norte-americano.

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