Enquanto em Iowa os pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos travam uma difícil luta, seu futuro adversário, o republicano George W. Bush, evita entrar em disputa e cultiva uma imagem de estadista com visão de futuro.
A campanha do presidente Bush trabalha com discrição, mas seus efeitos são muito claros, tanto no campos das idéias como no do dinheiro. Nas últimas semanas Bush apresentou propostas capazes de angariar simpatia, como o programa para a legalização temporária dos trabalhadores sem documentos e o plano para a construção de uma base espacial na Lua e para viagens humanas a Marte, que não deixou claro como será pago.
Para promover idéias como essas, aparentemente amplas em visão mas difusas em detalhes, o presidente aproveitará uma excelente oportunidade: o discurso sobre o Estado da União que fará diante do Congresso na próxima terça-feira e que servirá como um trampolim para sua campanha.
A televisão transmite o discurso ao vivo em horário nobre e Bush utilizará as especiais circunstâncias que envolvem o evento para se mostrar acima de seus adversários democratas, que lutam entre si pela candidatura de seu partido nas eleições.
No discurso, o presidente ressaltará pontos que considera positivos de sua gestão, segundo o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, como o corte de impostos no valor de US$ 1,7 bilhão em dez anos - responsável pela recuperação econômica, de acordo com o Governo - e a reforma do seguro de saúde para os idosos, o Medicare, que custará US$ 400 bilhões.
Também destacará a derrubada de regimes hostis no Afeganistão e no Iraque e o acordo com a Líbia para o desmantelamento dos programas de armas de destruição em massa do país norte-africano.
Mas os democratas também têm pronta sua resposta ao discurso, na qual enfatizarão que com a perda de 2,3 milhões de postos de trabalhos desde que chegou à Casa Branca, Bush conseguiu o pior resultado neste âmbito desde Herbert Hoover, presidente durante a Depressão de 1929.
Além disso, os avanços que o presidente descreve no Iraque são manchados pela morte de 500 militares americanos desde o início da invasão, em 20 de março.
Mas Bush conta com a carteira cheia para enfrentar essas críticas em atos eleitorais e na imprensa. Ao todo, ele arrecadou mais de US$ 120 milhões depois de participar de 42 eventos para obter recursos desde junho de 2003.
O presidente está aproveitando ainda suas viagens oficiais para realizar atos partidários, fazendo com que os contribuintes paguem uma parte dos custos de sua campanha.
Bush também conta com a vantagem de não ter adversário nas eleições primárias de seu partido, ao contrário do que ocorreu com seu pai, que teve que enfrentar o conservador Pat Buchanan durante sua campanha para a reeleição, que acabou perdendo para Bill Clinton.
Mesmo assim, o presidente não se esqueceu dos "caucus" estatais e enviou pesos pesados do partido a Iowa e New Hampshire, onde serão realizadas as primárias iniciais, para enfrentar a publicidade democrata.
Este fim de semana se encontram em Iowa, no meio-oeste americano, onde a votação será na segunda-feira à noite, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani e os líderes republicanos na Câmara de Representantes, Tom DeLay, e no Senado, Bill Frist.
Os três e outros membros do Partido Republicano participarão de 80 programas de rádio nos próximos dois dias, nos quais se esforçarão para rebater a saraivada de críticas a Bush feitas pelos pré-candidatos democratas.
Em New Hampshire, o presidente contará na próxima semana com defensores da altura do senador John McCain, que concorreu com ele nas primárias de 2000 e o bateu nesse Estado, e dos governadores de Nova York, George Pataki, e de Massachusetts, Mitt Romney.