O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, mandou nesta quarta-feira um recado duro aos países africanos: se quiserem mais ajuda e menos dívidas, terão de seguir as regras da democracia e combater a corrupção.
Na véspera da cúpula do Grupo dos Oito (G8) em Gleneagles, Escócia, que tem a ajuda à África como uma das prioridades, Bush não mencionou diretamente nenhum país africano em suas críticas.
Seu anfitrião, o primeiro-ministro dinamarquês Anders Fogh Rasmussen, foi mais direto. Citou o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, como alguém a quem o mundo não deveria ter receio de recusar ajuda.
- Vamos dar ajuda, com certeza, e perdoar dívidas, podem apostar, mas queremos garantias de que os governos invistam no povo e combatam a corrupção - disse Bush durante visita para agradecer o apoio de Rasmussen na guerra do Iraque, onde a Dinamarca mantém 530 soldados.
- Não sei como podemos olhar no olho dos nossos contribuintes e dizer que é um bom negócio dar dinheiro a países que são corruptos - acrescentou Bush em entrevista coletiva.
A visita, a primeira de um presidente norte-americano ao país desde Bill Clinton, em 1997, recebeu cobertura intensa das TVs locais. Bush viajaria ainda na quarta-feira de Copenhague para a Escócia.
O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, já recebeu apoio de outros membros do G8 para o perdão parcial das dívidas africanas. Mas os EUA e outros países se opõem a um plano mais ambicioso para emitir títulos que representariam uma ajuda extra de 50 bilhões de dólares ao continente.
Rasmussen disse que seu país é um generoso doador para as nações pobres, mas que há condições a serem seguidas.
- Toda a nossa ajuda vira nada se os países são governados por ditadores corruptos. Devemos recompensar generosamente os países que combatem a corrupção e garantem a liberdade político-econômica, e não devemos ter medo de cortar a ajuda a ditadores como Mugabe, do Zimbábue - disse ele.
A União Européia impôs sanções ao presidente Mugabe, a quem acusa de violar direitos humanos. ]
Embora a Dinamarca tenha apoiado a guerra no Iraque, a opinião pública do país não a vê com bons olhos.
Bush disse que Rasmussen mencionou durante o encontro a questão da prisão militar de Guantánamo, encravada em Cuba. Ali estão detidos cerca de 500 suspeitos de terrorismo. O local é alvo de duras críticas dentro e fora dos EUA.
Bush disse ter relatado ao primeiro-ministro que os presos são bem tratados e que a Cruz Vermelha tem liberdade para visitá-los a qualquer momento.