Em uma maratona que mistura de maneira pouco clara atos como presidente dos Estados Unidos e como candidato republicano para as eleições de 2 de novembro, George W. Bush multiplicará esta semana os compromissos de sua agenda.
Embora o caminho seja muito longo até as eleições - restam oito meses -, a equipe de Bush está consciente de que só se chega à presidência após uma corrida de fundo e não depois de um sprint, de modo que está fazendo o possível para ter uma boa posição na largada.
Durante os últimos dois meses, a atenção dos meios de comunicação e da opinião pública esteve voltada para o processo das primárias do Partido Democrata e para aquele que seria o seu adversário, o senador John Kerry, que se tornou uma figura muito popular.
A Casa Branca, que quer reverter o mais rápido possível essa tendência, refletida nas pesquisas favoráveis aos democratas, aproveitará qualquer oportunidade para apresentar Bush como a melhor da opções para os próximos quatro anos.
Na semana que começa, o presidente participará de diversos atos, os quais, entre outras coisas, incluem reuniões com criadores de gado no Texas, empresários nos arredores de Washington, mulheres em Ohio e pessoas do teatro na capital americana.
Esses são os compromissos dos quais ele participará na condição de presidente. Mas entre eles, se intercalarão diversas reuniões com seguidores e eleitores republicanos para a obtenção de mais fundos - de 175 milhões de dólares, atualmente - para a chapa Bush-Cheney 2004.
Como ocorreu com presidentes anteriores, essa dupla função gerou polêmica, sobretudo pelo uso que Bush faz do "Air Force One", o avião oficial, em seus deslocamentos.
Apesar de a lei estabelecer que as despesas devem ser divididas em partes iguais, o jornal The Washington Post denunciou recentemente que só se está pagando o equivalente a um punhado de bilhetes de primeira classe, quando o custo aproximado para manter o "Air Force One" em funcionamento é de US$ 35 mil por hora.
A polêmica também veio dos primeiros anúncios televisivos da campanha de reeleição do presidente, nos quais são exibidas imagens da destruição das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001 e do resgate de um bombeiro morto.
A utilização das imagens foi denunciada por associações de bombeiros e por familiares de outras vítimas, que consideram intolerável o uso políticp dessa tragédia.
Algumas famílias das vítimas também não acham correto o presidente visitar na próxima quinta-feira, segundo anunciou a Casa Branca, um memorial às vítimas em Nova York, o que pode criar mais controvérsia em torno deste assunto.
Bush visitará o memorial, que está em Long Island - um dos bairros da cidade -, após o que participará de um ato de arrecadação de fundos para sua campanha na localidade de East Meadow, também no estado de Nova York.
O próprio Bush rejeitou ontem as críticas e assegurou que não retirará as alusões ao 11-S, porque é necessário continuar falando dos efeitos que esse dia teve em nosso país e em minha presidência. "Continuarei lamentando a perda de vidas nesse dia, mas nunca esquecerei as lições (...). Os terroristas declararam guerra a nós nesse dia e eu continuarei combatendo nessa guerra", disse.
Bush disse que o que "vale a pena discutir" é "como essa administração fez frente a esse dia e como faz frente à luta contra o terrorismo". Ele também assegurou que quer "enfrentar o debate sobre quem é o mais apropriado para liderar" esse combate.
O presidente americano fez estas declarações na entrevista coletiva conjunta que ofereceu em seu rancho de Crawford (Texas) junto ao presidente mexicano, Vicente Fox, após um encontro que serviu para demonstrar o desejo de ambos os governantes de voltarem a ser amigos.
Não houve acordos concretos, mas Bush se comprometeu a avançar na solução dos problemas migratórios, uma jogada perfeita para atrair o favor dos latinos, cujos votos podem ser decisivos nas eleições presidenciais de 2 de novembro.