Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Burocracia soltou assassino de crianças no RS

Uma sucessão de erros da polícia pode ter causado a morte de várias crianças no Rio Grande do Sul. O assassino Adriano da Silva, 25 anos, foi condenado a 27 anos de prisão em março de 2001 por assassinato, roubo e ocultação de cadáver. Adriano, porém, conseguiu escapar da cadeia em União da Vitória, no Paraná, quatro meses depois e jamais foi recapturado. (Leia Mais)

Quinta, 08 de Janeiro de 2004 às 08:41, por: CdB

Uma sucessão de erros da polícia pode ter causado a morte de várias crianças no Rio Grande do Sul. O assassino Adriano da Silva, 25 anos, foi condenado a 27 anos de prisão em março de 2001 por assassinato, roubo e ocultação de cadáver.

Adriano, porém, conseguiu escapar da cadeia em União da Vitória, no Paraná, quatro meses depois e jamais foi recapturado. Um mandado de prisão contra ele foi expedido em 12 de abril de 2002. Mesmo assim, o jovem continuou solto.

Em novembro de 2003, Adriano foi levado a uma delegacia no Rio Grande do Sul, por avô de criança desaparecida sob suspeita de ser responsável por assassinato. Na ocasião, o suspeito apenas forneceu o nome de seu irmão, Gabriel da Silva, e disse que havia perdido a identidade. Como nada foi encontrado no Infoseg (sistema nacional que deveria integrar as informações policiais e judiciais) ele foi libertado no mesmo dia.

Somente na terça-feira, após ser reconhecido pelo amigo de uma vítima, acabou preso. Quatro dias antes, matara Daniel Lourenço, de 13 anos, no município gaúcho de Sananduva. Adriano confessou à polícia ter matado 12 crianças e adolescentes de 8 a 13 anos.

A seqüência de assassinatos começou em agosto de 2002, causando pânico nos moradores do Norte do Rio Grande do Sul. Se no Infoseg constasse a informação sobre o mandado de prisão contra Adriano, parte das mortes poderia ter sido evitada.

Em entrevista ao jornal Zero Hora, o secretário-adjunto da Justiça e da Segurança, Fábio Medina Osório, e o chefe de Polícia, João Antônio Leote, admitiram erros na atuação da polícia gaúcha durante a investigação do caso.

Apesar de ressaltar que Adriano da Silva já era considerado suspeito, os entrevistados confirmaram que a polícia já acreditava ter resolvido pelo menos seis dos 12 assassinatos. Com a prisão de Adriano, os suspeitos indiciados e presos devem ser soltos.

Fábio Medina Osório e João Antônio Leote negaram terem descartado a possibilidade que os crimes de Passo Fundo e Soledade estivessem ligados. Eles afirmaram que não tinham "convicções suficientes" para caracterizar a existência de um serial killer.

Nesta quinta-feira a polícia começa a fazer a reconstituição dos crimes que Adriano confessou. Ele está preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.

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