Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026

Buratti acusa Palocci de receber propina

O advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-secretário municipal na gestão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em depoimento, na Delegacia Seccional de Ribeirão Preto, afirmou aos promotores que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, recebia propina de R$ 50 mil mensais da empresa Leão & Leão, na época em que era prefeito de Ribeirão Preto. Os recursos seriam repassados ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que os utilizaria para financiar campanhas do partido. (Leia Mais)

Sexta, 19 de Agosto de 2005 às 10:03, por: CdB

O advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-secretário municipal na gestão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em depoimento, na Delegacia Seccional de Ribeirão Preto, afirmou aos promotores que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, recebia propina de R$ 50 mil mensais da empresa Leão & Leão, na época em que era prefeito de Ribeirão Preto. Os recursos seriam repassados ao então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, que os utilizaria para financiar campanhas do partido.


A informação é do promotor Sebastião Sérgio da Silveira, que antecipou à imprensa o que foi dito no depoimento. Segundo informou, o pagamento da propina era feito para que a prefeitura mantivesse o contrato de prestação de serviços de coleta de lixo com a Leão & Leão. Os pagamentos teriam acontecido entre janeiro de 2001 e novembro de 2002, quando Palocci deixou a prefeitura para colaborar na campanha de Lula e posteriormente ser ministro da Fazenda. O dinheiro seria recebido por um outro assessor de Palocci, chamado Ralf Barguetti, morto no ano passado vítima de câncer. Seria ele quem repassaria o dinheiro para as mãos de Delúbio.

Ainda de acordo com o que contou o promotor, depois que Palocci saiu da prefeitura, o dinheiro passou a ser recebido por Gilberto Maggione, do PL, que era vice de Palocci. Esses pagamentos teriam seguido de novembro de 2002 até dezembro de 2004. O depoimento de Buratti deve seguir até o período da tarde, segundo informou o representante do Ministério Público.

Buratti aceitou a proposta do Ministério Público Estadual de delação premiada e afirmou que iria contar tudo o que sabe em troca da redução de pena e, talvez, de sua liberdade provisória, que pode ser pedida nesta sexta-feira pelos promotores. Ele teria dito que teme por sua própria vida, e ouviu dos promotores que a melhor maneira de se proteger é falar.

Neste mês, a CPI dos Bingos e o Ministério Público identificaram telefonemas de Buratti para a casa de Palocci em Brasília. Essas ligações teriam ocorrido no período em que o contrato da GTech com a Caixa estava sendo negociado.

O advogado, que está preso desde quarta-feira no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto, foi detido depois que o Ministério Público interceptou telefonemas dele para o corretor Claudinet Mauad, nas quais o advogado determinava a destruição de provas. Os papéis foram apreendidos pelo Ministério Público e apontam para a existência de um esquema de compra e venda que seriam indícios de lavagem de dinheiro.

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