A emoção raivosa no trânsito está intimamente ligada a três fatores: aos buracos nas vias, ao tamanho e peso dos veículos e à juventude de alguns motoristas. Essas são as principais conclusões da tese de doutorado do psicólogo Luís Alberto Passos Presa, apresentada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. O pesquisador se diz espantado com a primeira posição entre os fatores de irritabilidade dos motoristas: – Embora 13 das 20 questões respondidas pelos entrevistados envolvam outro motorista, nenhuma delas ocupou o primeiro lugar geral. No estudo, foram entrevistadas 400 pessoas da cidade de Manaus, no Amazonas, divididas de forma igualitária em cinco grupos: motoristas de táxi, de ônibus e de veículos particulares, caminhoneiros e motociclistas. Os buracos ficaram em primeiro lugar para motoristas de veículos particulares, táxis e motociclistas. Entre os ônibus, o indicador ficou em terceiro, e entre os caminhões, em quarto. O pesquisador também concluiu que quanto maior e mais pesado o veículo dirigido, menor é a raiva de quem o dirige. Isso acontece pela segurança que a pessoa sente ao estar em um veículo que aparenta ser mais resistente se comparado aos demais. Por fim, a constatação de que os jovens sentem mais raiva ao dirigir em comparação às pessoas mais velhas mostra que a adaptação ao trânsito ameniza a manifestação de raiva. Além de analisar faixas etárias, foram estudadas outras cinco variáveis nas entrevistas feitas pelo psicólogo, a fim de concluir o que agravava as Situações de Raiva no Trânsito (SRT): a vida pessoal, a escolaridade, o gênero, o fato de os motoristas serem amadores ou profissionais e infratores ou não infratores. Os entrevistados tiveram de responder a perguntas por meio das quais diriam se sentiam nenhuma raiva, pouca raiva, raiva média ou muita raiva diante de momentos cotidianos de trânsito. Alguns resultados chamaram a atenção do pesquisador: diferenciando os motoristas pela escolaridade, Passos percebeu que a emoção raivosa em pessoas que estudaram até o ensino básico e motoristas com ensino superior completo era estatisticamente igual. – Isso choca porque mostra que a educação formal não influencia na calma ou tranquilidade do motorista –, conta. Outra diferença ressaltada estava entre motoristas amadores e profissionais: – Provavelmente pelo excesso de horas no trânsito, os profissionais ficam mais estressados. Nessa categoria estão motociclistas que trabalham como office-boys e taxistas, motoristas de ônibus e caminhoneiros. Os motoristas de caminhão, porém, demonstraram menor emoção raivosa em comparação aos motoristas de ônibus. – Os caminhoneiros entrevistados são de Manaus, e não pegam estrada. Apenas transitam pela região urbana da cidade. Já os motoristas de ônibus passam o dia inteiro circulando, ficam cansados e passam por diversas situações de raiva durante todo o período de trabalho –, diz o psicólogo, que imagina que o resultado seria diferente se os motoristas de caminhão entrevistados realizassem viagens por estradas durante uma grande quantidade de horas. Na hipótese que confrontou homens e mulheres, mostrou-se que ambos apresentam, estatisticamente, o mesmo nível de emoção raivosa. Levando em consideração os motoristas infratores – cuja carteira atingiu 20 pontos –, o pesquisador notou que a emoção raivosa dessas pessoas é mais alta do que a de motoristas não infratores. – Alguns deles são cronicamente raivosos, mal humorados, e por isso tendem a cometer infrações com maior frequência –, diz. Para avaliar os impactos da vida pessoal do motorista e relacioná-las às suas atitudes no trânsito, o pesquisador utilizou outro questionário, chamado STAXI (State Trait Anger Expression Inventory), que contém 44 questões responsáveis por avaliar a raiva na vida cotidiana. As respostas obtidas foram relacionadas com as entrevistas sobre situações de trânsito. – O resultado mostrou que as pessoas que sentem raiva na vida cotidiana demonstram mais emoção raivosa quando estão dirigindo também –, aponta o psicólogo.
Buracos são principal motivo da raiva dos motoristas
A emoção raivosa no trânsito está intimamente ligada a três fatores: aos buracos nas vias, ao tamanho e peso dos veículos e à juventude de alguns motoristas. Numa pesquisa, os buracos ficaram em primeiro lugar para motoristas de veículos particulares, táxis e motociclistas.
Quarta, 10 de Novembro de 2010 às 08:32, por: CdB