Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Buracos negros roubam gases necessários para formação de estrelas

Buracos negros supermassivos são capazes de arrancar de galáxias imensas os gases necessários para a formação de novas estrelas, deixando gigantes vermelhas envelhecerem até desaparecer, sem que novas estrelas sejam formadas para substituí-las. (Leia Mais)

Segunda, 19 de Abril de 2010 às 08:17, por: CdB

Na ficção científica, os buracos negros aparecem invariavelmente como formações misteriosas e com grande capacidade de destruir tudo o que passar por perto. A realidade, conforme aponta um novo estudo, liderado por cientistas da Universidade de Nottingham e do Imperial College London, no Reino Unido, parece ir nessa linha.

Segundo a pesquisa, buracos negros supermassivos são capazes de arrancar de galáxias imensas os gases necessários para a formação de novas estrelas, deixando gigantes vermelhas envelhecerem até desaparecer, sem que novas estrelas sejam formadas para substituí-las.

Os astrônomos usaram imagens obtidas do telescópio espacial Hubble e do observatório de raio X Chandra para detectar buracos negros em galáxias distantes.

Os pesquisadores analisaram galáxias que emitiam altos níveis de radiação e de raio X, que se configuram assinatura clássica de buracos negros que devoram gás e poeira por meio do processo conhecido como acreção, ou atração de matéria por meio da força gravitacional.

Nesse processo, à medida que a matéria se movimenta pelo horizonte de eventos de um buraco negro, ela se aquece e irradia energia em um disco de acreção.

Em buracos negros supermassivos essa radiação pode atingir proporções gigantescas, com a emissão de raio X em quantidade muito superior à soma das emissões de todos os outros objetos da galáxia. Ou seja, o buraco negro acaba “brilhando” mais do que toda a galáxia da qual faz parte.

De acordo com os cientistas, a quantidade de energia liberada é tão grande que seria suficiente para “roubar” todo o gás da galáxia por pelo menos 25 vezes.

O estudo aponta que a grande maioria da radiação em raio X presente no Universo é produzida por esses discos de acreção que envolvem os buracos negros.

A energia liberada por esses discos é tão grande que é capaz de aquecer os gases frios contidos no coração de galáxias massivas. Ocorre que os gases precisam ser frios e densos para entrar em colapso sob o efeito da gravidade e formar novas estrelas.

Como o material resultante da “fome” do buraco negro é quente e de baixa densidade, ele precisaria esfriar antes que a gravidade pudesse ter algum efeito. Mas o problema é que esse esfriamento demoraria ainda mais do que a idade atual do Universo, apontam os autores do estudo.

Depois que o buraco negro se alimentou, o resultado são que as estrelas velhas são extintas sem ter substitutas, deixando a galáxia escurecer e morrer também.

O estudo foi apresentado no dia 16 de abril em reunião da Royal Astronomical Society em Glasgow, na Escócia.

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