Buenos Aires, a "Rainha do Prata", vem progredindo fortemente na preferência do público homossexual como destino turístico, depois da notória melhora dos preços após o fim da paridade do peso com o dólar, e já desbancou o Rio de Janeiro como meca do turismo gay na América do Sul.
A fama de cidade culta e tolerante, a única na América Latina que aceita a união civil entre pessoas do mesmo sexo, é um dos maiores pesos na balança da preferência gay a favor da "Rainha do Prata".
"As pessoas se cansaram de ir sempre para o Rio, que tem um perfil mais de festa, de descontrole. Buenos Aires oferece um leque de opções maior: tolerância, diversão, vida noturna, atividades culturais, infra-estrutura, segurança, qualidade e bons preços", avalia o agente de turismo Carlos Meliá.
"Buenos Aires é considerada o centro cultural da América Latina, devido à cultura européia arraigada na cidade e a sua fascinante arquitetura. Seus esplêndidos museus, teatros e várias opções culturais fazem desta uma cidade aberta e tolerante. Está prestes a se tornar a capital gay da América do Sul", segundo o famoso guia de turismo homossexual Spartacus, citado hoje pelo jornal Clarín.
Um dos dados objetivos que apóiam esta observação é a abertura de três agências de viagens exclusivamente voltadas para a comunidade gay em 2003, enquanto outras quatro abriram departamentos para atender a este nicho.
"Gay-friendly"
Segundo o "mapa gay" da agência Pride Travel, já são mais de 30 hotéis, restaurantes e casas de shows para gays e simpatizantes. Para que um hotel seja considerado "gay-friendly" precisa demonstrar atitude aberta, como não olhar de lado um casal homossexual que pede um quarto com cama de casal e oferecer informação direcionada para os turistas gays. O circuito gay inclui também aulas de tango para gays, uma idéia que agrada não apenas os turistas como os locais.
Ainda não há números exatos sobre o negócio, mas as autoridades da cidade calculam que 20 de cada 100 visitantes estrangeiros são homossexuais, 90% do sexo masculino, que vêm dos Estados Unidos e Europa, mas também da Austrália e África do Sul.
A capital argentina está sendo estudada pela Associação Internacional de Turismo Gay e Lésbico (IGLTA, da sigla em inglês) como possível sede para seu simpósio mundial programado para o primeiro semestre de 2004, revelou o subsecretário local do turismo, Jorge Purciarello.
Meliá, que é filiado à IGLTA, acredita que seria uma grande oportunidade para divulgar a cidade porque reuniria cerca de 300 empresários e pessoas ligadas ao ramo.
O turismo gay é considerado muito rentável porque a maioria dos casais é da categoria "dink", do inglês "doble income, no kids" (dupla renda, sem filhos), o que aumenta seu potencial de consumo.