Rio de Janeiro, 28 de Março de 2026

Buarque diz que escândalo pegou o PT 'de surpresa'

Quarta, 20 de Setembro de 2006 às 10:32, por: CdB

Candidato do PDT à Presidência da República, Cristovam Buarque disse, nesta quarta-feira, que a grande maioria dos petistas foi pega de surpresa pelos escândalos de corrupção que irromperam no governo Lula. Buarque foi governador do Distrito Federal pelo PT e ministro da Educação do governo Lula.

- Foi o tal 'círculo de poder', tanto no PT como no governo, que fez tudo isso. Nem eu nem 99% dos militantes do PT sabíamos de nada disso - diz ele, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo.

O pedetista, que deixou o governo Lula no primeiro ano e, em seguida, o PT, disse que se sente incomodado com a apatia dos ainda militantes do partido para protestar contra "as coisas" que alguns "andam fazendo".

- O PT é o partido que se acomodou - critica.

Cristovam repetiu o seu pacote contra a corrupção, que começa com a tipificação do crime como hediondo. Para o candidato, o principal é cortar as indicações para cargos e colocar pessoal de carreira em cargos de confiança. Depois, acabar com a reeleição e limitar o número de mandatos para o Legislativo.

Por último, não deixaria de fazer a menção à educação.

- O que vai mudar o quadro da ética é a revolução na educação - insistiu.

Mea culpa

O candidato fez mea culpa sobre sua relação com o partido e concordou que não foi capaz de "empolgar" a militância.

- Até porque muitos deputados estão preocupados com a sua própria eleição", comentou. Cristovam deu a entender que esta necessidade de sobrevivência empurrou lideranças a procurarem se associar a quem está melhor nas pesquisas - acredita.

O desempenho nas pesquisas, nas quais tem apenas 2% das intenções de voto, segundo a última pesquisa Datafolha, aponta que Cristovam não tem condições de disputar um eventual segundo turno. Por isso, o candidato diz que a opção do partido pode ser tanto Lula quanto Geraldo Alckmin (PSDB).

- Há 10 anos, havia esquerda e direita, então a gente sabia que estava com a esquerda. Hoje, nem o Lula é de esquerda, nem o Alckmin é de direita. Assim, se pode optar por qualquer um dos dois - concluiu.

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