Após declarar a uma revista semanal que o deputado Severino Cavalcante, presidente da Câmara, o havia pressionado a pagar uma mesada de R$ 10 mil para manter a concessão de sua empresa sobre o restaurante que atende aos deputados, o empresário Sérgio Buani negou, nesta segunda-feira, que tenha pagado qualquer quantia ao político pernambucano. A Câmara, no entanto, decidiu rescindir unilateralmente o contrato de concessão com a Buani & Paulucci para a administração do restaurante no 10º andar do Anexo 4 da Casa.
Segundo o diretor-geral, Sérgio Sampaio de Almeida, a empresa deve ser informada nesta segunda-feira e terá cinco dias para apresentar sua defesa. Sampaio procurou desvincular a rescisão do contrato das denúncias do suposto pagamento de propina do empresário Sérgio Buani ao presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), para garantir a concessão, conforme reportagem da revista Veja desta semana.
- Estamos rescindindo o contrato em função da dívida de Buani - disse Sampaio, segundo o site da Câmara. A dívida do empresário, por inadimplência contratual, seria de cerca de 150 mil reais.
Severino soltou nesta segunda-feira mais uma nota, a terceira desde sexta-feira, negando as denúncias.
- Não posso ser colocado à execração pública com acusações sórdidas, irresponsáveis e sem provas - disse o presidente da Câmara.
O deputado lembra na nota que "os contratos da Casa são renovados anualmente e que o mandato dos membros da Mesa é de apenas dois anos". Severino ocupou o cargo de primeiro-secretário, que cuida dos serviços administrativos da Câmara, na gestão 2001-2002, que vai até o início de 2003.
"As acusações veiculadas pela revista dizem que eu recebia propinas mensais, do sr. Buani, ao longo de todo ano de 2003. Nesse período eu já não era primeiro-secretário e não detinha nenhum poder sobre os contratos da Casa, o que denota a má-fé das aleivosias do sr. Buani", disse Severino na nota.
O empresário, no entanto, negou nesta segunda-feira que tenha dado dinheiro ao deputado e que tenha feito a denúncia à imprensa.
- Eu nunca paguei propina. Aliás, eu não tenho dinheiro para pagar as minhas contas, quanto mais propina - disse Buani a jornalistas, após depor na comissão de sindicância criada pela Câmara para investigar irregularidades no contrato de concessão do restaurante.
Ainda assim Buani se recusou a comentar se Severino pediu propina para garantir a concessão do restaurante, ao mesmo tempo em que rebateu a acusação de que estivesse tentando extorquir o deputado.
- Se o presidente falou isso, ele vai ter que provar, porque em nenhum momento na minha vida eu fiz isso. No momento próprio, vai ser apresentado à Polícia Federal o que eu tiver - disse Buani.
Segundo reportagem da revista Veja desta semana, Buani teria pago R$ 10 mil mensais para manter a concessão na Câmara, quando Severino era primeiro secretário da Casa, responsável pelas questões administrativas.