Bruno Senna temia, até a semana passada, que sua estréia na Fórmula 1 poderia não acontecer neste domingo no Grande Prêmio do Bahrein, mas agora está determinado a aproveitar cada minuto. O sobrinho do tricampeão Ayrton Senna foi contratado no ano passado pela nova equipe Campos, mas problemas financeiros fizeram com que seu futuro ficasse pendente até que a equipe encontrasse um novo parceiro no mês passado, o que a levou a ser rebatizada como HRT (Hispania Racing).
"Logo antes do Colin (Kolles) assumir a equipe, eu estava muito mal de expectativa e confiança de que a equipe fosse acontecer, porque havíamos passado tempo demais tentando ser vendidos, tentando ser resgatados", disse ele a jornalistas no circuito de Sakhir, na quarta-feira.
"Só soubemos no sábado que estaríamos no Bahrein, quando o carro foi carregado, faltando meia hora", disse o paulista de 26 anos. "Foi tudo de última hora e só realmente aconteceu na semana passada." Usando boné azul, com aspecto feliz e tranquilo, Senna admitiu que o fim de semana será difícil, com um carro ainda sem testar. "Acho que o plano agora é sair na sexta-feira, fazer um 'shakedown' (teste), fazer uma volta de instalação, voltar, ver se nada pega fogo, ver se não há vazamentos, aí mandar o outro carro para fora e fazer essas coisas algumas vezes."
Alguns pilotos manifestaram preocupação com a lentidão dos carros de equipes como HRT, Virgin e Lotus em comparação com as principais - algo que Senna desdenhou. "Não é muito difícil lidar com isso. Corri na Le Mans Series com carros que são de 2s a 20s mais rápidos por volta. É perfeitamente possível lidar com o tráfego quando você está num carro mais rápido. A única coisa necessária para os pilotos é se respeitarem, e com certeza isso irá aparecer na reunião dos pilotos amanhã", disse ele.
Mesmo que a HRT esteja entre as mais lentas, Senna - que esteve prestes a estrear pela Honda em 2008, antes de a montadora japonesa abandonar a categoria - quer aproveitar ao máximo a oportunidade de correr na F1. "Já estou aproveitando", afirmou.
"É o começo de um sonho que vira realidade para mim. Foi bem duro até agora, desde o final de 2008 e até este ano, em que a coisas chegavam quase lá e eram tiradas. Eu estava indo por este caminho neste ano, e era duro de aceitar, porque uma coisa é quando você faz algo errado - se não sou bastante rápido, se cometo um erro na pista, então perco minha chance. Outra coisa é quando tudo está fora do seu controle e se desvia numa direção que não dá para recuperar. Estou muito contente de estar aqui e muito grato por estar aqui."