Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

Bruno reafirma que <i>Sombra</i> matou Celso Daniel

Quinta, 06 de Outubro de 2005 às 09:25, por: CdB

Bruno José Daniel Filho, irmão do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, do PT, assassinado em 2002, disse, em seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, que Celso foi torturado antes de morrer e confirmou que Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, teve participação no assassinato e na tortura de seu irmão. Ele pediu justiça para esclarecer a morte de Celso Daniel e afirmou não ser possível aceitar as investidas do Ministério Público e do Executivo para arquivar as investigações sobre o caso. O outro irmão do prefeito assassinado, João Francisco Daniel, em depoimento na CPI, também acusou Sombra de ser um homem violento e de ter participado da morte de Celso Daniel.

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, Bruno Daniel - irmão do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel - afirmou que o assassinato de Celso não foi um crime comum.

- Quem aceita a tese de crime comum aceita a tese de que não houve tortura, aceita que não houve a troca de roupa de Celso. Aceita a idéia de que não houve participação de Dionísio, um presidiário do presídio de Guarulhos que foi resgatado de helicóptero. Quem aceita a tese de crime comum aceita a tese de falta de documentos, falta de laudos importantes para chegar mais perto da verdade, relativa às mortes de outras seis pessoas assassinadas e que ainda não foram esclarecidas - afirmou.

Para demonstrar a tese do crime planejado, Bruno disse que houve uma base de operação para que ocorresse o assassinato, inclusive com uso de vários telefones celulares. Houve ainda, segundo ele, contradições nos depoimentos dos presos, o que demonstraria que a história contada por eles teria sido montada. Houve também uma maleta de dólares entregue aos supostos criminosos, segundo contou aos senadores, além de uma remuneração no valor de R$ 1 milhão para quem teria participado do assassinato. Bruno disse ainda que deve haver várias pessoas implicadas na morte de Celso Daniel, o que tornaria necessário descobrir os motivos do assassinato e das chamadas "queimas de arquivo", referindo-se às mortes das testemunhas que foram assassinadas.

Em seu depoimento, Bruno Daniel citou dez episódios no assassinato de Celso Daniel pela Polícia Civil de São Paulo que mostram contradições e desencontros de informações, segundo ele, com o propósito de rebater a tese de que o crime fora planejado. Um desses pontos é o fato de que ficou constatado, segundo Bruno, que o veículo Pajero em que viajavam Celso e o Sombra foi atingido nos pneus quando estava parado, e não com o carro em movimento, como afirmaram os policiais.

Outra consideração, segundo Bruno Daniel, é o fato de a Polícia afirmar que o ex-prefeito teria sido seqüestrado porque teria sido confundido com um empresário da Ceasa. Ocorre que, até hoje, o nome desse empresário nunca foi revelado, o que faz a família Daniel supor que ele nem existe.

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