O primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu no domingo bilhões de dólares de financiamento adicional para o Fundo Monetário Internacional escorar as economias em dificuldades, enquanto o premiê chinês, Wen Jiabao, dizia que sua prioridade é manter o crescimento doméstico forte da China.
Líderes de Mumbai a Moscou e Berlim tomaram medidas para escorar suas próprias economias no sábado. O banco central da Índia reduziu os juros pela segunda vez em duas semanas, a Rússia injetou 170 bilhões de rublos (6,4 bilhões de dólares) num banco estatal, e a chanceler alemã Angela Merkel prometeu apoio a um grande pacote de investimentos para reforçar a maior economia da Europa.
Em Riad, Brown disse que os Estados petrolíferos do Golfo e a China precisam contribuir com dinheiro ao FMI, para que este empreste a países que correm o risco de colapso financeiro.
- Se quisermos impedir que a crise financeira se espalhe, precisaremos de uma política de seguro global melhor para ajudar as economias com problemas - disse Brown.
O premiê chinês Wen, escrevendo no diário ideológico do Partido Comunista, avisou contra os crescentes riscos domésticos de uma queda econômica mundial.
- Diante da atual turbulência financeira e econômica internacional, precisamos dar maior prioridade ainda à manutenção do desenvolvimento econômico regular e relativamente rápido de nosso país - afirmou no relato.
A China cortou seus juros na quarta-feira, pela terceira vez em seis semanas, para ajudar a quarta maior economia do mundo a suportar as reverberações da crise financeira global.
Na Índia, o banco central reduziu no sábado sua taxa principal de juros para empréstimos, pela segunda vez em duas semanas, para aliviar o arrocho do crédito e incentivar o crescimento econômico.
Nas últimas semanas, os responsáveis pela política econômica em todo o mundo vêm reduzindo os juros e injetando somas enormes nos sistemas bancários de seus países, para tentar combater os efeitos secundários da crise global, que levou ao congelamento dos mercados de crédito e ameaça mergulhar a economia mundial em recessão.
Em Riad, Gordon Brown disse que o FMI precisa de centenas de bilhões de dólares adicionais para proteger as economias fragilizadas da crise.
"Por isso estou pedindo mais recursos para o FMI - centenas de bilhões de dólares além dos 250 bilhões que o Fundo já tem disponíveis --para emprestar aos países em risco de colapso econômico", disse Brown, que se posicionou na dianteira da resposta global à crise.
O ministro das Finanças do Kuait disse que seu governo vai basear sua decisão (sobre o apoio aos mercados internacionais) nas eventuais possibilidades de retorno e oportunidades de investimento.
O ministro britânico da Economia, Peter Mandelson, disse que convencer a Arábia Saudita a contribuir para o FMI levará tempo e que não se espera nenhuma promessa de dinheiro já neste fim de semana.
A viagem de Gordon Brown pelo Golfo precede a cúpula global que terá lugar em Washington em 15 de novembro, na qual ele e outros líderes mundiais vão defender uma reforma do sistema financeiro internacionais.