O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que aceitaria renunciar neste ano, sacrificando-se para que o seu Partido Trabalhista tenha uma chance de formar um novo governo em parceria com o Partido Liberal-Democrata. Os "lib-dems", terceira força na política britânica, estão sendo cortejados também por David Cameron e o seu Partido Conservador, que formou a maior bancada no Parlamento, mas sem maioria absoluta para governar.
Reagindo à proposta de Brown, os conservadores fizeram também a sua "oferta final" aos "lib-dems": um convite para incluí-los em uma coalizão formal, e a promessa de um referendo limitado sobre uma reforma no sistema eleitoral.
O sistema distrital britânico dificulta a ascensão de uma terceira força, e reformá-lo é a maior reivindicação do partido de Nick Clegg. Essa é a primeira vez desde 1974 que nem os trabalhistas nem os conservadores conseguem maioria absoluta.
Em uma declaração solene em frente à residência oficial dos primeiros-ministros, na rua Downing, Brown disse que os liberal-democratas agora desejam conversar com os trabalhistas, paralelamente à sua negociação com os conservadores. "Não tenho desejo de ficar no meu cargo além do necessário", disse Brown.
"Como líder do meu partido, devo aceitar que (o resultado eleitoral) é um julgamento a meu respeito. Portanto, pretendo pedir ao Partido Trabalhista que ponha em andamento o processo necessário para a sua eleição de liderança."
O líder dos "lib-dems", Nick Clegg, já havia sinalizado durante a campanha eleitoral que não aceitaria manter o impopular Brown como primeiro-ministro.
Depois do anúncio de Brown, negociadores trabalhistas e liberal-democratas se reuniriam por uma hora. O trabalhista Ed Balls descreveu o encontro como "positivo e construtivo."
Brown não citou prazos para a renúncia, mas disse esperar que o novo líder assuma antes da convenção partidária de setembro.
O chanceler David Miliband, que desponta como favorito nas casas de apostas, disse que nenhum candidato vai se lançar até que a formação do novo governo esteja concluída.
A cotação da libra e dos títulos públicos caiu depois do anúncio de Brown. Os mercados temem uma demora na formação do novo governo, que atrase a adoção de medias urgentes para conter o déficit público.